terça-feira, 19 de junho de 2012

A década que mudou o mundo!


A década de 1960 foi um marco para nossa civilização. Esta década assistiu em 1960 a ida do primeiro satélite artificial para o espaço e nove anos depois o homem pisava na lua. Em 1967 ocorre a primeira transmissão via satélite e em 1969 o embrião da internet é criado. Em 21 de Abril de 1960, a capital do Brasil é transferida do Rio de Janeiro para Brasília. Ainda em 1960, Jânio Quadros é eleito presidente do Brasil. Em 1961, renuncia. Em 1963, enquanto fazia uma visita à Dallas, o presidente J. F. Kennedy é assassinado. Em 1964, um golpe militar no Brasil tira do poder o presidente João Goulart. Início da ditadura militar no Brasil. Em 1966, tem inicio a Revolução Cultural na China. Em 1968, é assassinado o ativista pelos direitos civis Martin Luther King. Temos ainda a construção do muro de Berlin, a Guerra do Vietnã... UFA!!!! Que década. E ainda não falamos do Rock’n roll, Beatles, os shows de MPB...WOODSTOCK!!!!! O mundo estava passando por um processo. Estávamos saindo de um “status quo”, as idéias afloravam em todas as áreas do conhecimento. E o que pode ter passado despercebido para muitos, mas que sacudiu o mundo, foi o lançamento do filme “2001 uma odisséia no espaço” e do livro:


 TITULO: ERAM OS DEUSES ASTRONAUTAS?
 AUTOR: ERICH VON DANIKEN
 EDITORA: MELHORAMENTOS
 PAG: 200

 Edição recente:
 
A primeira vez que li este livro, eu deveria ter uns 10 anos. O livro era do meu pai. Na época eu lembro que não consegui acompanhar todo o raciocínio do livro, mas a maioria das questões levantadas por Von Daniken, eram um pouco das minhas. Não sei como explicar, mas houve uma simbiose de tal forma, que eu passei a ler o livro constantemente. Eu lia outros autores, revistas e depois voltava para o livro.
 Se você não sabe do que se trata o livro, bem vale começar pelo autor:
 O suíço Erich Von Däniken é escritor pesquisador e ficou mundialmente famoso ao descrever como hipótese a suposta vinda de seres extraterrestres como sendo os deuses que visitavam o planeta Terra no passado. Nesta obra em questão, Daniken faz cerca de 323 questionamentos a cerca de nosso passado. Mas entende-lo é entender a década. Por isto iniciei o post falando sobre a década de 1960. A década que viu os homens irem ao espaço, abriu caminhos para uma nova “possibilidade” que antes não passava de um sonho. As descobertas arqueológicas do Doutor J. Mellaart em 1964. Logo em 65 o Doutor  Gerald Hawkins publica sua tese, de que Stonehenge era um observatório astronômico de 1700 AC!
 Von Daniken passou a ver o mundo em que estava inserido com novas possibilidades. E correu o mundo para encontrar provas desta “nova realidade”. 


 “ Não temos culpa de que no universo existam milhões de outros planetas...
 Não somos culpados pelo fato de a estátua japonesa de Tokomai, de muitos milhares de anos de idade, ostentar em seu capacete fechos modernos e viseiras...Nem pela existência do relevo de pedra de Palenque...
 Menos ainda somos culpados se o Almirante Piri Reis não queimou seus mapas e se os livros antigos e as tradições de história da humanidade apresenta tantos aspectos desconcertantes...
 ...Porem, teremos culpa se, sabendo de tudo isso,não o levarmos em consideração, não o levarmos a sério!”
 Erich Von Daniken

 Talvez o grande diferencial de Von Daniken se deva ao fato de que ele não lide apenas com Hipóteses de cunho filosóficos. Não! Ele vai até lá, nos apresenta elementos concretos, físicos, palpáveis, no entanto, inexplicáveis.

 
 A cada achado arqueológico o inicio de nossa civilização fica mais recuado.
 Eu tenho uma teoria. Nós costumamos pensar muito linearmente. O que quero dizer com isto? Bem..., é muito mais fácil, e se enquadra muito melhor em nosso modo “linear” de pensar, se imaginamos a nossa evolução x tempo, do tipo "perfeitamente contínuo".


 Mas se pudermos ver uma nova possibilidade, e se ao invés de contínuo, nossa evolução x tempo contivesse inúmeros picos e vales?

  Muitos jogaram ovos em Von Daniken. A grande maioria não tinha nada mais que Dogmas enraizados em tradições que nem se quer compreendem. 

 Para ler este livro, dispa-se de dogmas, preconceitos ou outros similares. Encare esta realidade como uma “possibilidade” e explore-a. Tenho certeza que no final desta viagem você vai se surpreender.


 
Para Saber mais:

 - Veja o filme “Eram os Deuses Astronautas?”

 
 Leia os outros livros do autor:

  - O ouro dos Deuses
 
  - Erich Von Danicken em Julgamento



 Boa leitura!

domingo, 17 de junho de 2012

Ilha de Enxofre.



“  As defesas são poderosas. O numero de defensores é considerável e estão muito bem armados para o tamanho  da ilha.  Creio que é a posição fixa mais bem defendida deste mundo, particularmente em se tratando de uma ilha.
 Contamos com perdas. Contamos com perdas de navios e de tropas, e cremos que serão consideráveis. Estamos providenciando, na medida de nosso conhecimento, de nossa capacidade  e de nossa intenção, para reduzir  estas perdas o quanto possível. Mas haveremos de ter perdas. De qualquer maneira, esperamos conquistar aquela posição .”
Almirante Turner

  
  TITULO: IWO JIMA
   AUTOR: RICHARD F. NEWCOMB
  EDITORA: FLAMBOYANT
  PAG: 267

  Se não estou enganado foi este livro que inspirou os filmes de Clint Eastwood, “Cartas de Iwo Jima” e “Conquista da Honra, A”. Este livro eu comprei em um sebo,  no centro do Rio de Janeiro. É uma edição de 1968. Encadernado em capa dura, com borda tipo “lombada” e as folhas são em uma gramatura bem maior que o costume. É o tipo de livro feito para durar. Pela qualidade desta impressão, um livro destes, se fosse reeditado hoje, desta maneira, estaria custando uns R$ 300,00, ou mais. 

  Richard fez um belíssimo trabalho de pesquisa, entrevistando veteranos, verificando arquivos tanto Americanos quanto Japoneses e dando um toque de suspense na narrativa. Um tipo de leitura que agradará a todos os leitores. Confesso que tem uma linguagem bem mais "militar" que a esperada, e isto se deve ao fato de RICHARD F. NEWCOMB ter sido correspondente durante a segunda guerra. Talvés se você for um leitor mais voltado para tipos "romances", vai acabar desgarrando da leitura.

 Iwo Jima é um marco na história militar mundial. A tomada da ilha foi vital para o esforço da guerra no pacífico e assegurou aos “Marines” o lugar de honra na história. Se o Britânicos deveram muito aos poucos pilotos que defenderam suas vidas, os Americanos devem aos “Marines” a vitória no Pacífico.
  O  livro é dividido em apenas quatro capítulos, da seguinte forma:

 I° PARTE – A ilha do enxofre:
2° PARTE – A invasão:
3° SURIBACHI – Apenas o início:
4° O ultimo reduto de Kuribayashi

  Acredito que você terá a mesma dificuldade que tive ao começar a ler o livro. As intermináveis siglas dos veículos utilizados pelos Marines, nem sempre são esclarecidas. Eu fiz então um pequeno índice que colei na contracapa do livro.

LCM – Navio de desembarque médio. É um lanchão todo de mateal, com 16 metros. Pode transportar um camihão ou um pequeno tanque. É mais veloz que os LCU e LST.

LCPL – Embarcação de desembarque de pessoal, com cerca de 10 metros

LCU – Embarcação de desembarque de tropas e equipamentos. É muito lenta, mas pode levar vários tanques, caminhões e jipes.

LCVP – Também para desembarque de tropas e equipamentos. Tem dez metros.

 
 OBS: As velocidades médias dos LCM, LCPL e LCPV são de 15 nós

LPH – Navio que leva as tropas para próximo a praia. São na maioria classe ESSEX, porta-aviões modificados.

 
 LSD – Navio doca. É um grande navio, que transporta LCU ou outras pequenas embarcações. Seu convés inferior é como um dique seco. Para lançar as embarcações ele inunda o convés inferior e abre as portas. ( Hoje os LSD’s também levam helicópteros).

 
LST – Navio de desembarque. É a maior embarcação que chega a tocar no solo. Tem na proa grandes portas. Podendo levar tanques, jipes, artilharia e tropas.


LVT – Tanque anfíbio que leva as tropas para a praia.

 

 Espero que isto ajude você também.

  Vai encontrar neste livro:

Para quem trabalha com logística, ou estuda o assunto, é uma fonte interessante. A logística executada pelas forças armadas Americanas para desembarque das tropas e abastecimento das mesmas é surpreendente.
 Se você quer entender um pouco mais dos costumes Japoneses da época, também vai encontrar neste uma ótima fonte de consulta.

  Se você estuda este período da história, deve ler este livro. Não há outro com um relato deste tipo. Richard faz um "minuto a minuto", nos levando dos conveses dos navios até as cavernas mais incrustadas de Iwo Jima. 

  “ Talvez não voltarei vivo desta missão, mas asseguro-lhe que lutarei com o que houver de melhor em habilidades em mim, para afastar a menor sombra de desgraça sobre nossa família. Lutarei como filho de Kuribayashi, o Samurai, e me conduzirei de maneira a merecer o nome Kuribayashi. Guiem-me os meus antepassados.”
 Carta do General Kuribayashi, encarregado por Tojo para defender Iwo Jima, à seu irmão.

 Para saber mais:

 http://www.iwojima.com/
 http://veja.abril.com.br/especiais_online/segunda_guerra/edicao008/sub2.shtml
 Livro Iwo Jima de Michel Russell, da Renes editora - Série História Ilustrada da 2° Guerra mundial. ( Muito material fotográfico )
 Veja os filmes, Cartas de Iwo Jima e Conquista da Honra, A. 

 Ótima leitura!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mistérios e iniquidades da corte de Roma.

 
  Mortes, envenenamentos, parricídios, adultérios, incestos...
 Você acha que conhece a história?
 E se eu lhe dissesse que tudo o que disse acima esta relacionada ao cristianismo? Mais especificamente aos Papas?
 O orgulho e a ambição guiavam os primeiros “representantes de Deus na terra”. Os dogmas estabelecidos por eles ainda perduram. E algumas de suas idéias, cujo objetivo era submeter os pobres seguidores de Cristo, ainda são usados por um sem número de falsos profetas em peles de “pastores”, “guias”, “padres”...

 
TITULO: Os crimes dos Papas
 AUTOR: Maurice Lachartre
EDITORA: MADRAS
 PAG: 435

 Este livro eu ganhei de presente de aniversário em 2010. Mas na verdade não se trata de uma obra recente. Este livro foi publicado pela primeira vez em 1842. Porem a mando do Papa da época, todas as obras foram destruídas.

 Um pouco sobre o autor:
 Maurice Lachâtre (Issoudun, 14 de outubro de 1814 - Paris, 9 de março de 1900), forma sincopada e pseudônimo de Maurice de la Châtre, foi um influente e importante intelectual, editor e escritor francês. Foi responsável pela enciclopédia Novo Dicionário Universal, e mais conhecido por haver protagonizado o Auto de fé de Barcelona, em 1861.



 
Esta edição, divulgada pela editora Madras, trás uma apresentação, escrito pelo renomado Eduardo Carvalho Monteiro. Que faz um breve resumo da história da formação da Igreja primitiva.

 Acho que ninguem melhor para descrever o livro, do que o próprio autor. Então nas palavras do próprio Maurice:

 “ Os Papas, monstros mais infames e ferozes que os da antiga Roma e de Bizancio, assentados na cadeira pontifical, cingidos com o trílice diadema do orgulho, da hipocrisia, do fanatismo, cercado por assassinos, de envenenadores, de cortesãos, entregavam-se a todos os deboches e insultavam as desgraças públicas. Mas as trevas dissipam-se, os assassinos, a miséria, a devastação fizeram surgir verdades terríveis e eternas, que a política e a crueldade dos Reis tinham sepultado debaixo das ruinas dos impérios. “

 O livro é de um belo acabamento, simples, devo admitir. Uma característica deste livro é a “famosa” escrita em duas colunas por página. Terrível... Eu não sei quanto a vocês, eu odeio. Alguns podem diser que por se tratar de uma obra do século XIX, as produções da época eram na sua maioria assim. Concordo, mas fica muito cansativa a leitura. Bem este é o único desagrado em relação a este livro.

 
 Os capítulos são apresentados divididos pelos séculos, vindo do seculo I° ao IX°. Em cada capítulo, ou seja, em cada um dos Séculos o autor nos apresenta aos Papas e antes de contar a história do Papa em questão, faz um pequeno resumo de seu Papado. É bem interessante, pois se você estiver fazendo uma pesquiza, sobre um determinado evento, ou assunto, fascilita muito.

 Vou dar um exemplo: Vamos supor que você quer saber mais sobre o Papa que foi arrastado pelas ruas? Eu sei que foi no século VI°. Mas tiveram 20 papas! Teria que ler sobre todos eles para saber que fora Vigílio, o 61° Papa. Mas não é preciso, no resumo aparece “(...) – Arrastado pelas ruas de Constantinopla com uma corda no pescoço(...)”

 Nota interessante para história da Papisa Joana, do século XIII°, seria o 108° Papa. 

 

 A história esta repleta de Papas mortos na cama de sua amante, envenenados, assassinados por pretendentes ao cargo máximo da igreja. Outros que mataram a família, mantinham relações com a irmã e vendiam cargos por interesse próprio. Este era o cenário dos primeiros nove séculos da formação da Igreja.

 
 Aos estudantes de Teologia, história ou curiosos do tema, este é um livro obrigatório. Além do histórico dos Papas, tem-se todo o cenário de época. Os Reis, as revoltas, o povo... 

 Devo concordar que é uma leitura “pesada”. Os fatos expostos podem mexer muito com a credibilidade da insituição católica. Porem sou da opinião de que a verdade deve ser mostrada e que cada um tire suas concluões.

 Para saber mais:
  Um pouco mais da história da Igreja, "Nascidos do Sangue" - Também da Madras editora
 

domingo, 10 de junho de 2012

A volta.








  Você acredita em reencarnação?
 Calma, não estou querendo iniciar uma discussão sobre dogmas religiosos. Mas considere por um instante a possibilidade de ocorrer eventos na sua família que o levem a uma única explicação, a reencarnação.
 Não estou falando de nenhum filme de Hollywood. Estou falando de uma história real, ocorrida em uma família, como a minha, como a sua...


TITULO: A VOLTA
AUTOR: BRUCE E ANDREA LEININGER
EDITORA: BEST SELLER
PAG: 320

  ATENÇÃO !     ATENÇÃO!      ATENÇÃO!     ATENÇÃO!    ATENÇÃO!  
Antes de falar sobre este livro, quero lembrar que este Blog é sobre... livros. Não estou aqui querendo defender um dogma ou uma doutrina. Acredito que o "homem tem o direito universal de adorar à Deus a sua maneira". Porem, se você possui preconceitos enraizados sobre o assunto, e simplesmente não quer ver seus Dogmas abalados sobre esta tema, melhor parar por aqui.

 Avisado está, então vamos continuar.

 Pode parecer estranho, mas quando comprei este livro, em 2010, o fiz mais pela capa, do que sobre o assunto em si. Explico...: Quando comprei o livro achei tratar-se de um romance sobre reencarnação e cuja história de fundo seria sobre a vida de um piloto durante a segunda guerra. E se você pegar este livro desavisadamente, tenho certeza que também terá esta impressão. Quando emprestei este livro para minha mãe ela também teve, inicialmente, esta impressão do livro.

 Mas a coisa começa mudar quando você se da conta de tratar-se de uma história real. Um “drama” vivido pela família Leininger, com seu pequeno filho James.

 Os pais contam que aos dois anos o pequeno James começa a ter um sono perturbado por pesadelos. No inicio ele apenas se debatia e gritava. Mas logo passou a falar algumas coisas do tipo: “O avião esta em chamas!”.
 Com o passar do tempo até quando não estava dormindo James falava sobre um piloto, James Huston Jr, desenhava aviões em combate e bombas explodindo.
 Em uma tentativa de ajudar o filho e entender o que estava acontecendo, Bruce e Andrea começam a pesquisar em cima das informações que o filho, aos poucos, ia lhes revelando. Eram dados surpreendentes sobre nomes, aviões, dados geográficos...
 Quando James lhes revela o nome de um porta-aviões, Bruce encontra, pela internet, um grupo de ex-combatentes do “suposto” porta-aviões. Ainda com um certo ceticismo, apesar de tudo, ele viaja para encontrar-se com os ex-combatentes. Mas nada que ele pudesse ter feito previamente o prepararia para aquele encontro.
 No ano seguinte os pais decidem então levar o pequeno James a reunião dos ex-combatentes. O reconhecimento dos “ex-companheiros”, os dados “secretos” pertinente ao porta-aviões, que eram conhecidos apenas pelo grupo que nele servira, foi o que faltava para que os pais acreditassem que seu filho, de fato, abrigava a alma de um herói.
 Os desfecho do livro é surpreendente. Não vou citá-lo para não estragar a surpresa.

 Aqueles que seguem uma linha espírita, ou que simplesmente tem curiosidade sobre o assunto, devem ler este livro.
  Conheci pessoas que não conseguiram terminar de ler o livro. Seus dogmas foram de tal forma "sacudidos" que foi mais fácil, para eles, abandonar a leitura do que encarar esta "possibilidade".
 Aos que estudam a segunda guerra, o livro trás alguns dados interessantes sobre as batalhas travadas pela chamada força de apoio da marinha Americana. Seus cargueiros convertidos em porta-aviões e a batalha que tiveram que travar contra a força principal da marinha Imperial Japonesa.

 PARA SABER MAIS:
 Livro, Crianças e suas vidas passadas,  de Carol Bowman. Da editora Sextante.
 Inclusive, Carol Bowman ajuda o casal Leininger a entender o ocorrido.

 http://www.youtube.com/watch?v=AQcegAnZwe8
 http://www.youtube.com/watch?v=W88qROTklHo&feature=related

 Otima leitura!!!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Epopéia de Gilgamesh

 Desde o inicio dos tempos o homem tenta entender sua condição de “mortal”. O homem busca o conhecimento como uma forma de tentar escapar ao destino comum. A milhares de anos atrás um rei empreendeu uma epopéia em busca deste conhecimento. Seu nome? Gilgamesh.

TITULO: A epopéia de Gilgamesh
AUTOR: Anônimo
 EDITORA: Martins Fontes
 PÁG: 182


  Depois da Ilíada e da Odisséia, este sem dúvidas é um daqueles livros clássicos que devem ser lidos. Este livro eu comprei em 2005, é uma edição de 2001. Lembro-me que na época paguei R$ 10,00.

 Esta é uma edição de bolso. Porem, diferente de outras edições deste tipo, é encadernado com muito capricho. As duas capas são feitas de uma espécie de cartolina encerada e com orelhas. O tamanho da fonte é bom, para um livro destas dimensões. O livro trás uma primeira parte que é uma espécie de apresentação e um pouco do histórico do livro. E logo em seguida, na segunda parte, o livro em si.

 Se você nunca ouviu falar deste livro, vale então uma breve elucidação sobre o mesmo.

 O Livro de Gilgamesh ficou mais conhecido por volta do século XIX, pelos idos de 1800, quando foi publico um livro intitulado “O dilúvio Assírio”  que era na verdade uma parte do livro de Gilgamesh que fora descoberto um século antes. Até hoje a narrativa do dilúvio, descrito neste livro é motivo de inúmeros debates. Sua descrição é idêntica ao que esta no Genesis Bíblico. Porem sua datação é muito mais antiga do que a descrita pelo patriarca Bíblico, Moises, o qual se atribui a autoria deste.

 Não se sabe ao certo a data no qual foram escritos os originais. Isto se deve ao fato de que, ao longo do tempo estes textos foram copiados por inúmeros povos. A versão mais completa que temos hoje do livro, que é esta publicação, na verdade é uma junção de vários achados arqueológicos de diferentes épocas e de locais diferentes. Seu registro mais completo provém de uma tábua de argila escrita em língua acádia do século VIII a.C. pertencente ao rei Assurbanipal, tendo sido no entanto encontradas tábuas que datam do século XX a.C., sendo desta forma o mais antigo texto literário conhecido.

 Alguns estudiosos do livro acreditam que o nome Gilgamesh, seja o ser humano mais velho conhecido pelo nome em nossa história.  Uma obra que existe a tanto tempo e que foi tão freqüentemente copiada e alterada, é quase impossível buscar uma precisão histórica dos eventos narrados.

 Ao longo da narrativa, se você já possui um bom conhecimento de história antiga, vai encontrar analogias as lendas e Deuses Gregos e Egípcios. A começar pelo próprio personagem principal que é descrito como “ Dois terços deus e um terço homem.”

 Mas afora esta confusão, a obra, apresenta um alto grau de unidade espiritual, que é a mensagem do livro. Sendo o próprio Gilgamesh, um pessimista em relação ao mundo e a vida humana. O livro tem dois grandes panos de fundo. O primeiro é de um Gilgamesh ambicioso, que sempre busca um desafio e sua única preocupação é deixar um nome para ser lembrado. E um segundo, que com a morte de seu grande amigo, Gilgamesh passa a questionar a mortalidade e empreende um grande viagem em busca da imortalidade.

 Apesar de bem antigo sua epopéia é fascinante. Impossível não se prender à  leitura. Infelizmente o livro, como todos os livros deste período, não esta completo. Faltam lacunas de textos que ainda não foram encontrados e provavelmente não o serão. Mas isto em nada atrapalha.


 Para saber mais:

http://simb-diriodeumadesempregada.blogspot.com.br/2011/09/epopeia-de-gilgamesh.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Epopeia_de_Gilgamesh

 Boa leitura.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

“A exceção de uma batalha perdida não há nada mais triste que uma batalha ganha “– Duque de Wellington (1769-1852)



A  guerra é a maior tragédia que o homem pode enfrentar. Diante de tantas tragédias: Fome, doenças e desastres naturais. A guerra em suas dimensões atuais pode facilmente ceifar toda uma parcela da humanidade.
 Sem dúvidas a Segunda Guerra Mundial, com mais de 40 milhões de mortos e um envolvimento sem precedentes na história do mundo, de quase todas as nações, é ainda hoje alvo de estudos, descobertas, revelações, teorias...
 Já li muitos livros sobre o conflito. Mas nenhum deles trás uma narrativa tão humana e cativante como este:
TITULO: Batalhas Ganhas e Perdidas
AUTOR: Hanson W. Baldwin
EDITORA: Bibliex
 PAG: 454
  Você já deve estar imaginando toda uma narrativa ao estilo rígido do militar. Com sua frieza de análise, no qual “as perdas são inevitáveis”. Negativo! Hanson W. Baldwin, era editorialista do New York Times quando escreveu este livro. Nas palavras do próprio: “ (...) Com a finalidade de tornar a história legível, interessante, viável e precisa.”
  Este livro eu comprei pelos idos de 1993, na própria Bibliex. É uma edição de 1978. Confesso que já esta bem “batida”. Já devo o ter relido umas 4 ou 5 vezes. Graças ao estilo jornalístico, fora fácil para mim, na época com meus 15 anos, compreender em um sentido humano, a segunda guerra mundial. E digo por que, aliado aos demais livros que já “destrinchava” sobre o assunto, consegui com a ajuda deste livro,  montar todos os aspectos do conflito, que já havia lido em outros livros, tais como: estratégias, armas, tropas, líderes e batalhas. Sabendo-os alocar nos momentos decisivos e entendendo-os como fatores críticos. E para minha grande surpresa, quando tinha 16 anos, meu Professor de história, grande Sérgio Trajano, me convidou para dar uma “palestra” sobre o tema, em uma turma de pré-vestibular.
 Mas voltando ao livro. Baldwin inicia seus capítulos sempre com uma data específica. Pode não parecer, mas esta referência temporal ajuda muito, principalmente após os EUA entrarem no conflito e então teremos eventos ocorrendo no Pacífico e na Europa, no mesmo instante.
  O primeiro capítulo é simplesmente triunfal. Intitulado “Queremos a Guerra”, inicia no sugestivo 31 de agosto, o ultimo dia de paz no mundo. Baldwin descreve, contando nas horas, todo o desenrolar de eventos que culminam com o inicio da Segunda Guerra mundial:
 O ultimo dia de paz – 31 de Agosto
Berlin – 1 hora
 (...) à 00:30 – meia hora depois da meia noite – a Chancelaria do Reich transmitiu a palavra código para a execução do caso branco – o ataque contra a Polônia.
(...)
 Berlim – 9 horas
 O embaixador italiano em Berlin, Bernardo Attolico, avisa a Roma que a situação é desesperadora... a guerra dentro de poucas horas”
(...)
 Oslo
 Os representantes das potências escandinavas – Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia – expelem a “habitual” declaração de neutralidade.
(...) Às 4:40 do dia 1° de Setembro de 1939, a luftwaffe bombardeia os aeroportos poloneses no país inteiro; (...)”

Em alguns capítulos o autor faz, ao final, um Retrospecto, crítica ou uma Síntese da batalha. Percebe-se uma neutralidade até utópica, nas avaliações dadas aos dois lados beligerantes. E isto torna, ao meu ver, o livro, um livro único.
 Eu jamais li, em outro livro, de uma forma tão “nua” a Campanha da Sicília. Se não me engano é o segundo maior capítulo no livro. E merece de fato uma atenção, pois para quem estuda o conflito, assim como eu, chega-se, em determinado momento, a se questionar sobre o por que da campanha na Sicília? E subsequentemente a Itália. Seria justificado como uma “areia nos olhos”, para desviar a atenção da Normandia. Seria? Mas com a quantidade de forças envolvidas, recursos e riscos, estas justificativa não são suficiente.
 Baldwin escolheu 11 batalhas, obviamente as mais importantes dentro do conflito. Este é um livro para todos os interessados sobre o tema. Mesmo que você esteja querendo começar a ingressar no tema hoje, ou se você já leu bastante coisa sobre o assunto. É um livro essencial. Eu digo isto a você por experiência própria. A forma como Baldwin, brilhantemente desenrola os acontecimentos, acaba servindo como uma “argamassa” que vai unir as demais informações, sobre o conflito, que você vier a buscar ou que já tenha previamente.
Para saber mais.
 Poderia indicar uma Pá de outros livros sobre o conflito, inclusive um já postado aqui, o ”Senta a Pua”. Mas vou deixar aqui apenas um, que falarei em um post futuro.
II Guerra - Momentos criticos. De autoria do nosso correspondente de guerra, Joel Silveira.


 Boa leitura.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Antoine de Saint-Exupéry

 Para entender uma obra é preciso compreender seu autor. Por vezes uma obra literária que a primeira vista possa parecer uma simples obra infantil, na verdade pode ser mais complexa que isto.
 Acredito que você já tenha lido, visto o filme, ou pelo menos ouvido falar no Pequeno Príncipe. Eu vi o filme pela primeira vez, deveria ter uns 8 anos. Quando pelos meus 12 anos tive a oportunidade de comprar o livro. Uma coisa interessante do Pequeno Príncipe, é que cada vez que você o lê, parece que seu significado filosófico vai se modificando e se adaptando a sua idade.
 Mas, como eu estava dizendo no inicio, para entender uma obra é preciso compreender seu autor. E nesta caso, obviamente estou falando de Antoine de Saint-Exupéry. Nascido em Lyon, à 29 de Junho de 1900. Filho de nobres Franceses, sempre demonstrou inclinação à filosofia.  Aviador, escritor, filosofo, humanista,... Saint-Exupéry estava à frente de seu tempo. Se a França tivesse que salvar alguém da Guerra, esta pessoa deveria ser ele. Mas o Homem, não podia ficar longe “dos homens”. Em 1944, o avião que pilotava, um P-38 de reconhecimento avançado, foi abatido. Durante anos seu paradeiro fora uma incógnita. Até que em 2004 os restos de seu avião foram encontrados. O corpo jamais foi encontrado. É mais feliz assim, faz-nos supor que o Príncipe o levou à conhecer as estrelas.


 Eu já li alguns outros livros de Saint-Exupéry, como “Um sentido para a vida.” e “Cidadela”. Recomendo ambos. Mas o livro do qual gostaria de falar aqui, é um bem menos conhecido, publicado após a sua morte:

TITULO: ESCRITOS DE GUERRA
 AUTOR: ANTOINE DE SAINT-EXUPERY
EDITORA: NOVA FRONTEIRA
PAG.: 620

 A edição que comprei, em 1994, é de 1986. Desconheço reedições mais recentes. Então provavelmente você só o encontrará em sebos, ou na internet.
 O livro na verdade, não é uma obra literária do autor. Trata-se de uma coletânea de notas, cartas, artigos,... Alguns inclusive inéditos.
O livro divide toda esta documentação por ano, vindo desde 1939, até o ano de 1944.
 Algumas das cartas enviadas por Saint-Exupéry à amigos, trazem alguns rabiscos do “principezinho”.  Alguns destaques que gostaria de deixar registrado:

Vergonha da Guerra...Vergonha da Paz
 Para curar um mal estar é preciso esclarecê-lo. E certamente vivemos no mal estar. Escolhemos salvar a Paz. Mas salvando a paz, mutilamos os amigos. E sem dúvida muitos dentre nós estavam dispostos a arriscar a vida pelos deveres da amizade. Estes conhecem uma espécie de vergonha. Mas se tivessem sacrificado a paz, conheceriam a mesma vergonha. Porque teriam então sacrificado o Homem: Teriam aceitado o irreparável desmoronamento das bibliotecas, das catedrais (...). Quando a paz nos parecia ameaçada, descobrimos a vergonha da guerra. Quando conseguimos evitar a guerra, sentimos a vergonha da paz.”

 A moral do Declive
 “ Nossa finalidade na guerra? Defender nossa própria substância. Mais do que nossas leis, mais do que nossas pedras, mais do que as fábulas de La Fontaine, (...). Combatemos para que não tenham o direito de ler nossas cartas em público, para não sermos submissos à massa. Para rezar quando nos agrada, se somos religiosos. Para escrever como nos agrada, se somos poetas. (...)

 Aos Americanos
Em procurar apreender o mundo em um sistema conceitual e eficaz reside, na verdade, a grandeza do espírito humano.
 Mas é também fraqueza sua acreditar nisso demais. Quando um sábio fundamenta uma teoria, ele não crê desde o começo em suas qualidades. Sabe que não se trata senão de uma linguagem apropriada a ordenar o mundo e que somente a ordem vale alguma coisa. A virtude de uma teoria é a clareza. E a teoria é abandonada se criar mais obscuridade que clareza.(...)
Sim, a Alemanha foi uma grande nação de sábios, mas ela não é mais uma nação de técnicos. Vocês sabem como se desenvolve o pensamento humano: da livre contradição nasce um feixe de provas contrárias que opõem o movimento de seus contrários ao movimento da única teoria. E, quando o mal estar é muito grande, quebram-se os moldes estreitos demais. (...).  A liberdade do espírito é que permite a progressão do pensamento.
(...)”

 O livro também apresenta um rascunho de ideias que mais tarde se tornarão o livro “Cidadela”. É muito interessante notar que Saint-Exupery se refere a “conceitos”, ele escreve assim:
“ Conceito da troca
  Conceito dos saqueadores.(Acabar com a nascente bebendo)
 Conceito das perguntas que morrem
 Conceito do tempo que corre e do tempo que preenche.
(...)”

 O livro trás uma série de cartas, inclusive para sua mãe, à amigos e algumas em respostas a outras, onde Saint-Exupéry mostra todo seu “eu” interior.
 Uma carta que achei bem interessante foi uma dirigida a Roger Beaucaire, que inclusive é inédita até então.
  A carta, só para ilustrar, termina brilhantemente assim:

“(...)
 O que, alias, não serviria para nada, pois você me repreenderia em seguida por propor somente uma verificação matemática, não uma demonstração, uma vez que teria sido necessário distinguir os parâmetros que definem eletronicamente os corpos verdes e só os definem, e depois expor que a demonstração vale por esta medida comum, qualquer que seja o objeto aplicado.
 O que é sem dúvida um trabalho excessivamente chato. Eu, por mim, admito que a cor verde não atrapalha os pêndulos.”

 Um texto que você já deve ter ouvido, ou lido em algum outro livro, de autoria de Saint-Exupéry, chamado “Carta a um refém”, também esta nesta obra.
 Ele trabalhava como repórter durante a guerra civil Espanhola, quando foi preso e condenado a morte por espionagem. É um texto com observações profundas, sensibilidade e patriotismo notável.

“(...).
 Parece-nos, ao contrário, que nossa ascensão não terminou, que a verdade de amanhã nutre-se do erro de ontem, e que as contradições a suplantar são o húmus de nosso crescimento. Reconhecemos como nossos aqueles mesmos que diferem de nós. Mas que estranho parentesco! Ele se baseia no futuro, não no passado. No fim, não na origem. Somos, uns para os outros, peregrinos que, ao longo de caminhos diversos, sofremos em direção ao mesmo encontro.
(...) Os problemas são incoerentes, as soluções contraditórias.A verdade de ontem esta morta, a de amanhã esta ainda por construir. Nenhuma síntese válida é entrevistada, e cada um de nós detém apenas uma parcela da verdade. Por falta de evidências que as imponham, os credos políticos apelam para a violência. E eis que, dividindo-nos quanto aos métodos, arriscamo-nos a não mais reconhecer que nos apresamos para o mesmo fim.
(...)”

 O que mais dizer sobre este livro?
 Acho que deu para perceber que eu gosto de Saint-Exupéry. Ainda vou falar aqui de outros livros dele. Eu recomendo todos eles:

- O aviador
 - Correio do sul
 - Voo Noturno
 - Cidadela
 - Terra dos Homens
 - Um sentido para a Vida
 - O Pequeno Príncipe

 Se você leu o Pequeno Príncipe, leia este livro, depois retome a leitura da Pequeno príncipe. Um experiência que vale a pena.

 Ótima leitura para você.

 LINKS

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Antoine_de_Saint-Exup%C3%A9ry
 http://www.frasesfamosas.com.br/de/antoine-de-saint-exupery.html
 http://www.antoinedesaintexupery.com/

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