segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O Livro Perdido de Enki


   
    A História, como estudo do passado, é uma ciência. Existem metodologias que devem ser seguidas, métodos que não podem ser ignorados. A grande diferença para outras ciências é que a História não é uma ciência exata. Não é como a física, ou a Matemática que desde Aristóteles, Copérnico, Newton suas premissas são as mesmas. Por isto são chamadas exatas.

    Mas a História, e este que é o grande fascínio por esta ciência, ela é mutável. Trata-se de estudar o homem no passado, considerando os nossos atuais conhecimentos. A cada nova descoberta arqueológica, a cada novo documento encontrado nossa perspectiva do passado muda. Assim como muda a cada nova descoberta científica, a cada novo avanço do conhecimento tecnológico.

   Os historiadores do século XXI terão pela frente dois grandes desafios:
 - Lidar com um mundo que, por algum motivo, tenta abolir este conhecimento.
 - Lidar com as novas provas e achados arqueológicos que reescreverão a História da humanidade.



  




 TITULO:  O Livro Perdido de Enki

   AUTOR: Zecharia Sitchin

   EDITORA: Madras

   PAG.: 269









         Este livro é fruto de um trabalho de uma vida inteira, nos quais Zecharia Sitchin se dedicou, traduzindo tabuletas de argila Sumérias.

   “De acordo com Sitchin, Nibiru era o lar de uma raça extraterrestre humanoide e tecnologicamente avançada chamada de Anunnaki no mito sumério, que seriam os chamados nefilim da Bíblia. Ele afirma que eles chegaram à Terra pela primeira vez provavelmente 450.000 anos atrás, em busca de minérios, especialmente ouro, que descobriram e extraíram na África. Esses "deuses" eram os militares e pesquisadores da expedição colonial de Nibiru ao planeta Terra. Sitchin acredita que os annunaki geraram o Homo Sapiens através de engenharia genética para serem escravos e trabalharem nas minas de ouro, através do cruzamento dos genes extraterrestres com os do Homo Erectus. Ele afirma que inscrições antigas relatam que a civilização humana de Sumer na Mesopotâmia foi estabelecida sob a orientação destes "deuses", e a monarquia humana foi instalada a fim de prover intermediários entre a humanidade e os annunaki. Ele crê que a radioatividade oriunda de armas nucleares usadas durante uma guerra entre facções dos extraterrestres seja o "vento maligno" que destruiu Ur por volta de 2000 a.C. (segundo ele, o ano exato seria 2024 a.C.), descrito no Lamento por Ur. Ele afirma que sua pesquisa coincide com muitos textos bíblicos, e estes seriam originários de textos sumérios.”
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zecharia_Sitchin


      
     A teoria do Astronauta antigo, praticamente inaugurada por Von Daniken, não foi nada mais que olhar a história do homem com os conhecimentos do presente.

   Mas Sitchin foi além da metralhadora questionadora de Von Daniken, Sitchin foi atrás de respostas.

   A presente obra foi editada pela Madras no Brasil em 2015, mas fora originalmente lançada em 2002 por Blar & Company. São transcritas 14 tabuletas do que seria a memória de Enki, um descendente direto dos Anunnakis. Enki, foi pai de Marduk e casado com Damkina. Teve mais cinco filhos com concubinas além de filhos com fêmeas terrestres.

   O livro relata toda a saga dos Anunnakis na terra, desde sua chegada à cerca de 450.000 atrás.

   O livro é muito rico em alguns detalhes. Eu consegui ver claramente o paralelismo com algumas passagens Bíblicas do antigo testamento, assim como lendas mitológicas do antigo Egito e toda a região da Mesopotâmia. 


   



    Mas o que achei mais interessante foi perceber o conceito de religiosidade para estes “Deuses” e algumas dúvidas éticas, ou contrárias a certas normas, que não são explicadas.  Como por exemplo, na discussão que surge quando Enki leva a seu irmão Enlil, a proposta de se criar um ‘escravo’: (Pag 110)








    “ Enlil hesitava com as palavras: É um assunto de grande importância!
  Em nosso planeta, há muito tempo foi abolida a escravidão, os escravos são as ferramentas, não outros seres!
Uma nova criatura, nunca vista, você quer trazer à existência; A criação está somente nas mãos do Pai de Todo o Princípio!
  Assim disse Enlil, opondo-se; suas palavras eram severas.
  Enki respondeu a seu irmão: Não escravos, e sim ajudantes é meu plano!
  O ser já existe! Disse Ninmah. O plano consiste em lhe dar mais de nossa imagem já existente! Disse Enki Persuasivamente.
Com mudanças pequenas se pode conseguir, só é necessário uma gota de nossa essência!
 Este é um assunto grave, não é de mau agrado! Disse Enlil.
Vai contra as regras da viagem de planeta em planeta, proibiu-se pelas regras da vinda à Terra.
  Nosso objetivo é conseguir ouro, não substituir o pai de todo o Princípio!”

   A que regras ele estaria se referindo? Seria a confederação Galáctica? Seriam então seres Confederados? Isto rebate a tese de que os Anunnakis seriam Reptilianos, os quais eu de fato nunca concordei.

  Na religião destes seres, Anunnakis, existe a crença em um Ser Superior, mas que parece ser algo muito mais complexo do que o Deus considerado pelas nossas religiões terrenas. Esta mais para uma visão do nosso esoterismo, a cerca de um criador que seria pura consciência em nosso Universo. Aproxima-se mais a ideia presente no Livro de Urantia.

  

   
    Uma outra questão interessante do sistema de crenças destes seres, é a dualidade DESTINO x SORTE. Os resultados de suas ações na terra, são sempre pesados por este prisma. E por fim a questão do ciclo divino. O inicio é igual ao fim.

“ Ao lidar com o passado, o próprio Enki percebeu o futuro. A noção de que os Anunnakis, exercitando o livre-arbítrio, eram senhores de sua própria SORTE ( assim como a sorte da humanidade), abriu caminho à conclusão de que o DESTINO, afinal, determinava o curso dos acontecimentos, e, portanto – como reconheceram os profetas Hebreus – as primeiras coisas serão as ultimas” (pág. 15)

  Um livro que talvez traga algumas respostas aos buscadores. Mas que com certeza trará mais dúvidas. Não parecem, estes seres, terem uma noção sobre o mundo espiritual. Eles não falam sobre isto, ( Ou Sitchin não fez menção, devido ao seu sistema de crenças?) . Falam de morte, de ressuscitação, de um sopro divino que abandona o corpo no momento da morte, apenas isto.

   Se mesclarmos o conteúdo deste livro, com os relatos contidos nos livros "Nephelins - A origem", "Crepúsculo dos Deuses" ambos de Robson Pinheiro e "Colônia Capella" de Pedro Campos, começamos a montar um quadro incrível do nosso passado. 
  Mas a chave para desvendar este mistério é o reconhecimento de uma outra dimensão, onde nesta poderiam habitar os espíritos e seres de outra faixa vibratória. 


  Uma ótima leitura à todos!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

A conquista do Brasil


   “ Em 1500, com 1,5 milhão de habitantes, Portugal não estava melhor que o restante da Europa, em que contavam 60 milhões de pessoas. Numa época marcada pelo terror da inquisição, a carestia e a corrupção, boa parte da população vivia na miséria. Se na dinastia Borgonha a missão tinha sido a fundação do reino e a reconquista da terra aos Mouros, Don João I levou ao trono dinástico da ordem de Avis, ligado à nova Burguesia, cujo enriquecimento e visão de grandeza viera da experiência nas cruzadas. E estabeleceu como meta o desenvolvimento comercial, dístico do seu Governo e seus sucessores, voltado para o Oriente.”






TITULO: A conquista do Brasil – 1500 - 1600

AUTOR: Thales Guaracy

EDITORA: Planeta

PAG.: 272







    
Brasil, um país com apenas 515 anos de história e ainda assim tão pouco conhecida pela maioria dos Brasileiros. Os primeiros cem anos da nossa história conhecida são os mais importantes. Pois é neste período que a nação toma forma. É neste espaço de apenas cem anos que é moldado o homem ‘Brasileiro’. Um homem mistura de Português, Índio e Negro Africano.



  A presente obra, editada pela Planeta, chama a atenção já na capa. Com letras em vermelho brilhoso e alto relevo. Reproduções de imagens dos sec XVI e XVII ornamentam a capa conferindo uma beleza única para a obra. Assim que peguei o livro do expositor, a frase na capa me chamou a atenção:

 “Como um caçador de homens, um Padre Gago e um exército exterminador transformaram a terra inóspita dos primeiros viajantes no maior pais da América latina.”

  Thales Guaracy faz um mergulho profundo  nos documentos antigos e nas análises dos primeiros historiadores Brasileiros, como Darcy Ribeiro, Capistrano de Abreu, Varnhagen, Gilberto Freyre e outros.

  Para quem quer entender a história da nossa fundação, como nação, esta é uma obra fundamental. Guaracy consegue aliar o conhecimento profundo a um texto confortável. Acredito que graças a sua formação como jornalista.  O livro nos conduz, desde um Portugal Medieval, para a épica aventura   pelo “Mar Tenebroso”, como o Oceano Atlântico era conhecido no final do Século XV. Nos monta um retrato de como se deu a violenta ocupação do que se tornaria o maior país da América Latina, nas terras então incógnitas do Novo Mundo. Resgatando nomes, vultos da nossa breve história, como o de João Ramalho, o desterrado que se amoldou à vida dos índios e fundou uma dinastia de mestiços caçadores de escravos.  Nos é apresentada a figura dos jesuítas, que aplicaram as diretrizes implacáveis da Inquisição na guerra santa contra os “hereges”, os franceses protestantes e seus aliados índios comedores de gente. Fala-nos ainda de Cunhambebe, o “cacique imortal”, líder da resistência indígena, que devorava seus inimigos dizendo que era um “jaguar”, o que me fez lembrar os Astecas e Incas, cujo Jaguar representava os Deuses.


    “ Também supersticiosamente, os Portugueses creditaram o milagare ao seu santo padroeiro. Diziam que, em meio às volutas de fumaça, tinham sido o próprio São Sebastião quem baixara a terra, surgido dos céus com sua armadura romana, de arco em punho, em meio a uma luz dourada, para abater os Tamoios. Sobre a lenda, nasceu a tradição das festas de São Sebastião, em que os barcos saem enfeitados em procissão marítima no dia do Santo, em Janeiro.
  

O sobrinho do governador avançava dentro da baía. Loteou a Guanabara entre os vitoriosos, a começar pelos jesuítas, que receberam um gordo quinhão. José Adorno, que lutara com Jerônimo Leitão, Capitão-mor de São Vicente, recebeu Três sesmarias em pagamento por seu apoio: na carioca, Niterói e no sertão fluminense. Além de distribuir sesmarias, Estácio de Sá traçou onde seria implantada a vila. Os Portugueses tomaram como ponto de partida a casa de Pedra, antiga olaria francesa, que servira de abrigo e forte improvisado aos protestantes exilados por Villegagnon no continente. Os indígenas a chamavam de ‘carioca’(casa de branco), o que pode ter sido a origem da designação dos fluminenses nascidos no Rio de Janeiro. (...)”

  Uma leitura obrigatória para quem quer entender este nosso Brasil!

 Boa Leitura à todos!

Feliz Ano Novo! Feliz 2016!


   O nosso caminho é feito pelos nossos próprios passos… Mas a beleza da caminhada depende dos que vão conosco!

Assim, neste novo ano que se inicia possamos caminhar mais e mais juntos… Em busca de um mundo melhor, cheio de paz, saúde, compreensão e muito amor.

O ano se finda e tão logo o outro se inicia… E neste ciclo do “ir” e “vir” o tempo passa… E como passa! Os anos se esvaem… E nem sempre estamos atentos ao que realmente importa.

Deixe a vida fluir e perceba entre tantas exigências do cotidiano o que é indispensável para você!

Ponha de lado o passado e até mesmo o presente! E crie uma nova vida… Um novo dia… Um novo ano que ora se inicia! Crie um novo quadro para você! Crie, parte por parte… Em sua mente… Até que tenha um quadro perfeito para o futuro… Que está logo além do presente. E assim dê início a uma nova jornada! Que o levará a uma nova vida, a um novo lar… E aos novos progressos na vida! Você logo verá esta realidade, e assim encontrará a maior felicidade… E recompensa…

Que o Ano Novo renova nossas esperanças, e que a estrela crística resplandeça em nossas vidas e o fulgor dos nossos corações unidos intensifique a manifestação de um Ano Novo repleto de vitórias! E que o resplendor dessa chama seja como a tocha que ilumina nossos caminhos para a construção de um futuro, repleto de alegrias! E assim tenhamos um mundo melhor!

A todos vocês companheiros (as) que temos o mesmo ideal, amigos (as) que já fazem parte da minha vida, desejo que as experiências próximas de um Ano Novo lhes sejam construtivas, saudáveis e harmoniosas.

Muita paz em seu contínuo despertar.

Um feliz Ano Novo!

http://www.belasmensagens.com.br/anonovo

domingo, 6 de dezembro de 2015

Os Abduzidos



  “A vida extraterrestre intriga; provoca um misto de fascínio e temor como só o desconhecido é capaz de provocar.  As grandes civilizações do passado detinham saberes que ainda hoje desafiam arqueólogos e pesquisadores; foram capazes de avanços repentinos que até hoje impressionam. Que os explica, afinal? Mas também é do espaço que partem ameaças concretas. O renegado de um planeta estéril aborda governos mundiais à época dos primeiros movimentos da Segunda Guerra e conduz negociações sagazes até os anos 1950. Logo muda de estratégia. Conseguirá o krill abrir as portas da Terra para seus ávidos compatriotas?

   Em meio a lances tão determinantes, observamos a liderança de Jesus, o avatar planetário, sua ação direta e a participação de seus emissários mais próximos: de Miguel a Maria; de Elias, abduzido perante o discípulo, até João, o evangelista arrebatado. Todos atendem o chamado da grande consciência cósmica para construir não só um novo planeta, mas uma só civilização: a humanidade.”





TITULO: Os Abduzidos

AUTOR: Robson Pinheiro

EDITORA: Casa dos Espíritos

PAG.: 416





   Este é o 4° livro da série ‘Crônicas da Terra’  de Robson Pinheiro. Só para lembrar os títulos anteriores são:





O fim da Escuridão

 Os Nephelins

 O Agenere








   O livro segue a forma editorial dos anteriores e o padrão de qualidade da Casa dos Espíritos. Acredito que apesar, (ao que parece), desta obra encerrar a série o autor ainda voltara ao tema em outras obras.

   Antes de você interromper a leitura deste post, por não ser Espirita, ou simplesmente ser de uma ou outra religião que acredita que, ou melhor, não acredita no espiritismo, permita-me só uma parte: eu não sou espírita. Mas tão pouco pertenço a uma ou outra religião. Acredito sim em um ‘Deus’. Nesta força criadora, nesta energia que até consigo sentir algumas vezes. Mas não acho que precisamos de um ‘guru’, ou padre, ou Pastor... Seja como você chame. Eu sou um estudioso da Bíblia, dos livros Apócrifos, da cultura religiosa em geral. E por tal motivo respeito e entendo os perfis religiosos de cada um. Mas há uma particularidade em relação ao Espiritismo. Não há aquele que ‘meio’ acredita. Há os que acreditam e os que não acreditam. Eu acredito, pois a minha experiência me levou a acreditar.

  Mas independente da sua linha religiosa, já parou para pensar que todas elas estão sendo praticadas da mesma forma. Acreditam-se nos mesmos dogmas. Muda o formato, muda-se a embalagem, mas o conteúdo é sempre o mesmo. O mundo evolui, os conhecimentos científicos, médicos, avançam e nossas práticas religiosas não mudam. Será? Eu percebo que estão mudando. Deixe-me ilustrar o que vejo notado.
  Imaginem que tivéssemos um tabuleiro do conhecimento Universal. Sobre este tabuleiro colocamos as linhas de conhecimento, ( Principais ). Reparem que cada uma ‘detém’ uma parte do conhecimento.


  Para terem acesso ao conhecimento central, elas irão precisar de  se encontrar.  E este é o problema.  Durante anos, cada uma delas acreditou deter toda a verdade e agora terá que escutar novas verdades. Verdades estas que poderão ir ao encontro daquilo que ‘deduziam’ como a verdade central. É por isto que temos as guerras religiosas, a intolerância.


   E Robson Pinheiro é um instrumento de aproximação. Por isto considero importante que todos, Espíritas, Ufólogos, Exotéricos, Cristãos, até os Ateus. Que leiam estas obras.

  “A maioria dos humanos acredita, incluindo os que se consideram a elite intelectual, que são a única forma de vida no universo. Miseráveis criaturas! Quem pensa assim? Não obstante, esse tipo de idéia vem a calhar para  quem pretende dominar e reger um mundo como tal – O Krill escarnecia da espécie humana – Aproveitei a situação, a distração dos brinquedinhos que nossa equipe ofertou aos cientistas e aos governantes do seu mundo, e me inteirei de muitos negócios, de muitas das políticas vigentes.”

   Precisamos descer de vez o véu da ignorância que nos cobre.

“ Tenho para mim, caro amigo – Embora eu nunca possa dizer isso em público, senão seguramente serei apedrejado, segundo manda a lei de Moisés – que este a quem denominamos Deus, esse ser a quem aprendemos a adorar, em nome de quem falamos ao nosso povo, pode muito bem não ser Deus, o criador, o ser que originou todas as coisas e criaturas. Talvez estejamos ainda à procura desse Deus original, desse Deus que é o Pai de tudo o que existe na terra e no céu. Estou convencido que nossa visão de mundo é por demais limitada que para termos uma ideia exata ou mais aproximada com respeito àquele ou àquilo com que lidamos.”


  A editora disponibiliza uma degustação da obra no link:


  Permitam-se ao menos questionar esta obra. O questionamento leva a novos conhecimentos. Precisamos...


 

     

sábado, 7 de novembro de 2015

Comandar - Pierre Charles Émile Lebaud



“Nesta época feliz, a trincheira era muito primitiva. Convencidos do próximo reinício da marcha para a frente, julgávamos inútil construí-la confortavelmente. Pouco profunda, sem abrigos subterrâneos, ela não era ligada por sapatas à retaguarda; á frente nenhuma defesa acessória. Lá ficava-se tranquilamente, ao escurecer, em pleno campo, de onde as patrulhas inimigas podiam aproximar-se facilmente, protegidas pela escuridão. Isso dava ensejo a contínuos tiroteios que, às vezes e sem razão, propagavam-se por toda a frente de um corpo de Exército.”








TITULO: Comandar

AUTOR: Pierre Charles Émile Lebaud

EDITORA: Bibliex

PAG.: 140






    

     Consegue imaginar a Europa pós primeira Guerra mundial? Digo, do lado vencedor? O que pensavam os homens deste período?

   Bem esta obra reeditada pela Bibliex nos trás uma visão bem interessante da Europa da década de 20. Pierre Charles foi Tenente Coronel durante a primeira grande guerra. Comandou as 101° e 130° regimento de infantaria. Além de fazer uma narrativa sobre o inferno da rotina nas trincheiras, Pierre Charles faz uma reflexão sobre o conflito e de como serão os conflitos depois da grande guerra. Ele escreveu este livro como um manual para que as futuras gerações se preparassem no caso de um novo conflito.

“ Ao fim da via-sacra, o regimento desembarca no Moulin-Brûlé, perto de Nixéville, debaixo de uma chuva torrencial, e entra na cidadela de Verdun por um itinerário desenfiado, atravessando o Bois-la-Ville e passando a leste do Forte Regret. Já foi muitas vezes descrita a vida subterrânea  dessa cidadela famosa... um mundo! Cada soldado aí recebe víveres e munições para completar seus aprovisionamentos. Logo no dia seguinte, chegou a ordem para entrar em linha. Atravessamos a povoação de Belleville, quase em ruínas. Atrás da crista da vertente norte que domina, muitas baterias estão em posição e atiram intermitentemente. Começa a desolação do campo de batalha. Tudo se atola na lama: caixões, viaturas quebradas, rodas de viaturas ou canhões, cartuchos, granadas, víveres, roupas sujas e ensanguentadas...”

  Uma coisa fica clara, os Franceses se encheram de orgulho com a vitória sobre os Alemãs. Durante a leitura observamos uma enxurrada de elogios ao soldado Frances, o ‘Poilu’. Nada é comentado a cerca do famoso natal de 1914. Mas vale a pena um olhar mais atento com relação a previsão para o futuro. Este livro, como disse, em forma de um manual, já trás em suas entrelinhas um certo aviso, do tipo, “ Não devemos esquecer que o inimigo, apesar de abatido, ainda ronda nossas fronteiras.”


  Interessante esta advertência vinda de um Frances, em plena década de 20, antes de estourar a depressão. Ou seja, apesar da Europa estar passando por um momento de reconstrução, havia, ou deveria haver uma sensação de calmaria após a tempestade. Ou será que já se sentia na verdade a calmaria que vem antes de uma tempestade?

  Durante a reunião de Ialta, os aliados concordaram que nenhum acordo de rendição seria feito com a Alemanha. Apenas a derrota mediante a destruição de Berlin seria aceita. Seria este um aprendizado dos termos da primeira guerra? Lembremos que Hitler fez questão de que a assinatura da derrota Francesa fosse assinada no mesmo vagão em que a Alemanha havia assinado a rendição de 1918. Rendição esta que ainda é muito discutida.



   






Rendição Alemã-1918










                            

         Rendição Francesa-1940




   Este livro pode ser usado como uma fonte história bem interessante sobre o período. Não é uma leitura, digamos, boa.  Até pela pagina 56 a leitura corre bem, depois ela inicia a etapa do manual que falei acima. Então começa a ficar um pouco ‘desinteressante’. Porém ainda é uma fonte, pois mostra como as coisas aconteciam até aquele período, neste microcosmo que é o sistema militar francês da década de 20.

  Boa leitura.

domingo, 4 de outubro de 2015

VALIS


  

   
  “O item principal da sacola de truques verbais de kevin era que o universo consistia de angustia e hostilidade e ele ia pegar você no final. Ele olhava para o Universo da maneira como a maioria das pessoas olha para uma conta que não foi paga; no fim das contas você será obrigado a pagar. O Universo te dá corda, deixa você se debater a vontade, e depois puxa para você se enforcar. Kevin vivia esperando que isto acontecesse com ele, comigo, com David e especialmente com Sherri. Quanto a Horselover Fat, Kevin acreditava que a linha já devia ter sido puxada há anos. Há muito tempo que Fat já havia passado da parte do ciclo onde puxam você de volta. Ele considerava Fat não somente um condenado em potencial, mas um condenado de verdade.”





TITULO: VALIS

AUTOR: Phillip K. Dick

EDITORA: Aleph

PAG.: 300





    
   Mas uma grande obra do gênio da ficção Científica reeditada pela Aleph. Capa e contra capa seguem o mesmo padrão das outras obras de Dick. O título é tão apenas um adesivo colado na capa. Este fato é interessante. As pesquisas com consumidores de livros mostram que a ‘capa’ corresponde a quase 30% da decisão de compra de um livro. Esta com toda a certeza não é uma capa que ‘vende’. Mas, o público alvo, ou seja, aqueles que procuram Philip K. Dick, não se importam se a capa tem fios de ouro, ou se é branca escrita a mão. Afinal é Dick!!!! Interessante a sacada da Aleph.

  As folhas do miolo são, as já padrão da Aleph, aquelas mais amareladas, pólem 80. Ajuda bem a leitura.

     Mas vamos ao Livro. VALIS pode parecer um nome, mas é na verdade um acrônimo  para ‘ VAST ACTIVE LIVING INTELLIGENCE SYSTEM’ ( Vasto sistema ativo de inteligência viva ). O acrônico vem de um filme que eles assistem e que acaba amarrando todo o enredo do livro.

  Muitos não sabem, mas a ideia original era que VALIS seria uma trilogia, porém não passou deste primeiro livro.


  O livro conta a história de Horselover Fat, que é na verdade o próprio autor, Phillip K. Dick. Por isto muitos fãs acreditam que esta obra é quase uma auto biografia. Bem, Fat acredita que suas visões tem o poder de expor fatos ocultos sobre a realidade da vida na Terra. Uma de suas teorias é que existe algum tipo de satélite espacial alienígena em órbita ao redor da Terra, e que está ajudando a humanidade e evoluir. Na verdade a teoria do satélite pré-histórico já era bem conhecida desde os anos 70. A trama começa a tomar forma quando Fat e seus amigos assistem ao filme Valis. Valis (o filme ficcional) contém referências óbvias a revelações idênticas aos que Horselover Fat tem experimentado. Os três amigos então entendem que eles foram convocados para uma missão:  achar o novo Avatar, ou Sophia, que é o Messias ou encarnação da Sabedoria Sagrada antecipado por algumas variantes do cristianismo gnóstico.

   Neste ponto percebemos que Dick foi bastante influenciado pelos manuscritos de Nag Hammagi . Eles encontram a Sophia, que tem dois anos e esta lhes revela que toda a teoria deles estava correta.

    O livro é psicodélico, como quase tudo dos anos 60, 70 e 80. Requer um pouco mais de atenção para não perder o enredo.

   Mas o que achei mais interessante neste livro é o debate de Teologia e filosofia, especialmente metafísica filosófica. Este debate acaba por desempenhar um papel importante em VALIS, apresentando não apenas Dick (e / ou Horselover Fat ) e os pontos de vista próprios sobre estes temas, mas também a sua interpretação de inúmeras religiões e filosofias do passado. Para um leitor mais atento, perceberá que o autor faz várias referências religiosas, dentre elas o Gnosticismo, a irmandade  Rosa Cruz, zoroastrismo e budismo, bem como escritos bíblicos, incluindo o Livro de Daniel e os do Novo Testamento. Muitos antigos filósofos gregos são discutidos, incluindo vários pré-socráticos (Pitágoras, Xenófanes, Heráclito, Empédocles e Parmênides), bem como Platão e Aristóteles. Pensadores mais recentes que são mencionados incluem a filósofos Pascal e Schopenhauer, o cristão místico Jakob Böhme, o alquimista Paracelso, os psicólogos Carl Jung e Sigmund Freud, o historiador romeno da religião Mircea Eliade, e o autor e psicólogo Robert Anton Wilson.

   A ação de VALIS é definido firmemente na cultura popular americana de seu tempo, o romance contém várias discussões prolongadas sobre metafísica.


   Valis acabou influenciando muitos artistas.  Foi adaptado em 1987 para uma ópera eletrônica pelo compositor Tod Machover, e realizada no Centro Georges Pompidou, com cantores ao vivo e projeções de vídeo criados pela artista Catherine Ikam.  VALIS também  apareceu em um programa de TV. O episódio de uma série, recebeu o título de "Eggtown", foi ao ar 21 de fevereiro de 2008, o personagem John Locke dá à Ben Linus o livro ‘VALIS’ para ler. Ele o retira da estante de livros de Ben, enquanto Ben está sendo mantido em cativeiro. Em um outro episódio da série "The Other Woman", de 06 de marco de 2008, Ben é mostrado lendo ‘Valis’ antes de ser interrompido por Locke.

   A banda de metal progressivo, Tacoma Narrows Bridge Disaster,  tem músicas nomeadas ‘Exegese’, ‘Valis’ e ‘preto Prisão de Ferro’, todos inspirados pela obra de Dick, em seu álbum de 2012 Exegese.


  “Ao ver Cristo em uma visão, eu disse corretamente para ele:’Nós precisamos de cuidados médicos’. Na visão havia um criador insano que destruía o que criava, sem objetivo; o que significa dizer, irracionalmente. Este é o traço de loucura de mente; Cristo é nossa única esperança,  já que não podemos mais convocar Asclépio. Asclépio veio antes de Cristo e fez um homem se erguer dos mortos; por esse ato, Zeus mandou um dos Kyklopes mata-lo com um raio. Cristo também foi morto pelo que havia feito; erguer um homem dos mortos. Elias trouxe um menino de volta a vida e desapareceu logo em seguida num redemoinho. “O império nunca terminou” ”


“ De muitas maneiras, a exegese de Fat faz mais sentido do que Parsifal. Fat concebe o universo como um organismo vivo no qual uma partícula tóxica penetrou. A partícula Tóxica, feita de metal pesado, se incorporou ao organismo-universo e o está envenenando. O organismo-universo despacha um fagócito. O fagócito é Cristo. Ele cerca a partícula de metal tóxico – A prisão de ferro Negra – e começou a destruí-la”

  Uma ótima leitura à todos!

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