sábado, 6 de janeiro de 2018

2080




 “A descoberta da vida extraterrestre, naqueles anos, levou gente de toda espécie a questionar seus valores. Embora a humanidade não tivesse travado contato direto com formas inteligentes de vida alienígena, foram captados sinais, pelos radiotelescópios da terra, que atestaram ser, de modo inequívoco, de civilizações avançadas, devido a certas características.(...)”







  TITULO:  2080

   AUTOR: Robson Pinheiro

   EDITORA: Casa dos espiritos.

   PAG.: 282









   Sobre o autor:

      Espirita mineiro, autor de mais de 40 livros mediúnicos. Seu autor espiritual é Ângelo Inácio. Robson fundou e dirige a sociedade espírita Everilda Batista desde 1992.

     Devido aos seus trabalhos e reconhecimento nacional, em 2008 tornou-se cidadão honorária de Belo Horizonte.

  Sobre a obra:

      Mais uma vez a casa dos espíritos faz um trabalho belíssimo nesta editoração. O trabalho gráfico das capas, com uma texturizada inclusive da lombada do livro, traz um resultado incrível.

    Para quem nunca leu esta linha de livros do Robson, vou tentar resumir, apesar de já vir colocando aqui neste blog alguns livros dele. Para quem já teve algum contato com livros psicografados, na sua grande maioria são voltados a ensinamentos, aprendizagem e doutrinações.  Mas a missão dos trabalhos de Ângelo e Robson é de trazer livros que nos incomodem, que nos façam refletir muito a fundo sobre nossa real natureza. Ele quebra, desconstrói ideias pré concebidas de um mundo espiritual utópico. Na verdade ele mostra que nossas imperfeições humanas também estão presentes no outro lado da vida. Que precisamos entender isso, aprender como o inimigo joga o jogo sujo, se não corremos o risco de entram em campo já perdendo de goleada.

    Mas vamos a obra. Como o título sugere, o livro é sobre um tempo futuro, 2080, não necessariamente será este o ano dos acontecimentos desenrolados na obra, como o autor coloca, o ano foi aleatório.

  O mais incrível do livro é com relação aos seus escritores espirituais. Desta vez não é Ângelo Inácio quem balança a pena do outro lado, e sim Júlio Verne.  Como? Nunca ouviu falar de Julio Verne?



  # Júlio Verne, (1828-1905), é considerado por críticos literários o inventor do gênero de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua.
  Até hoje Júlio Verne é um dos escritores cuja obra foi mais traduzida em toda a história, com traduções em 148 línguas, segundo estatísticas da UNESCO, tendo escrito mais de 100 livros.



   E ele não esta sozinho do outro lado. Com o intuito de realizar uma visão do futuro, Verne de juntou ao sensitivo Edgar Cayce...  Também nunca ouviu falar?


  # Cayce, (1877-1905), um dos maiores clarividentes da História. Era chamado pela mídia norte-americana de "O Profeta Adormecido", porque predizia eventos futuros e prescrevia medicamentos com os olhos fechados, em um suposto estado de "transe".

  Entre algumas predições que teria realizado, estão a previsão do início e do fim dos conflitos da I e II Guerras Mundiais, o surgimento do Nazismo, os conflitos raciais dos EUA desde o início dos anos 20, as datas dos falecimentos de dois dos Presidentes dos EUA à época, a extinção da Liga das Nações (organização que antecedeu a ONU em princípios e objetivos), a Grande Depressão Econômica (1929-1934) dos EUA, o fim do comunismo na Rússia e o surgimento da China como grande potência econômica e cultural.


  E ai, precisa falar mais sobre esta obra?

   Este, segundo o autor e o que esta escrito na capa, é o primeiro livro. Tem muita previsão interessante sobre EUA, BRASIL, RUSSIA e CHINA. Sobre o Brasil em particular muitas das previsões escritas já estão acontecendo. Isto é realmente assustador.

   Qualquer coisa que escreva aqui vai estragar a surpresa da leitura.

  CONCLUSÃO

      
   Apesar do livro se orientar ao que seria um cenário pelo ano de 2080, como os autores dizem ao longo do livro, são previsões. Os vislumbres não permitem a eles saber ao certo, quando se darão os eventos. Nem se os eventos ocorridos em locais diferentes serão paralelos, ou seja, podem acontecer agora no Brasil o que foi previsto e só daqui a 30 anos o que foi previsto nos EUA. Não é uma ciência exata.

  Mas o interessante é observarmos os sinais. Existem pontos chaves que serão os pontos determinísticos que desencadearão os eventos. E acredito que a missão deste livro é fazer-nos conhecer estes pontos. Vou falar aqui um, só para vocês terem uma ideia. Em anos de existência da Igreja e do papado, nunca ouve um Papa que escolhesse o nome de Pedro. Claro, Pedro o fundador da igreja segundo os evangelhos. Mas Cayce aponta que estes eventos estarão vinculados a subida de um Papa que para seu pontificado escolherá o nome de Pedro e será conhecido como Pedro II!!!!!

  Buscadores, leiam este livro.


  Boa leitura.

ACHTUNG, PANZER!



   “ Na medida em que os carros de combate e tornaram consideravelmente mais rápidos que a infantaria, o conceito limitado de emprega-los como apoio a ela foi sendo gradualmente substituído pela noção de grandes formações mecanizadas. Elas não cabiam na visão estreita de seu emprego apenas em batalha de blindados a fim de obterem ruptura. Elas incluíam também os elementos de reconhecimento e a capacidade de conduzir através do campo o mínimo de infantaria e artilharia imediatamente atrás dos carros de combate, com o intuito de manterem o terreno conquistado pelos blindados. A característica recém adquirida pelos carros, sua velocidade, pode ser explorada desde o primeiro contato. Agora é possível pensar em empregar as grandes formações mecanizadas de forma independente.”



  




   TITULO:  ACHUTUNG, PANZER!

   AUTOR: Heinz Guderian

   EDITORA: Biblioteca do exército editora.

   PAG.: 281









   Sobre o autor:

      Alemão, nascido em 1888. Combatente da grande guerra, participou da grande batalha de Verdun. Após a guerra começou um longo trabalho sobre a influência das grandes formações motorizadas.

  Em 1931 foi promovido a Tenente-Coronel, sendo então o inspetor das unidades motorizadas. 

   Era dos poucos que discutia com veemência e abertamente com Hitler. Heinz Guderian é o patrono das divisões Panzer alemãs e considerado um dos melhores comandantes de blindados de todos os tempos.


  Sobre a obra:

      A presente obra, trazida até nós pela editora do exército, talvez por isso pouco conhecido do público em geral. Mas não pense você que trata-se de uma leitura pesada, técnica, voltada ao público militar em específico. Negativo. O livro, que fora escrito originalmente em 1937, possui um estilo leve e de agradável leitura.

   Guderian faz todo um estudo dos fatos ocorridos durante a grande guerra, no qual foram empregados os blindados pela primeira vez na história. Ele faz todo um minucioso estudo do conflito, do uso da metralhadora, do fuzil de retrocarga, do gás, das trincheiras, dos canhões, do avião até no desenvolvimento e emprego dos primeiros blindados. Uma fonte bem interessante sobre o período.

“Na França, o desapontamento pelo fracasso da ofensiva de 16 de Abril de 1917 provocou violentas críticas contra o carro de combate. Entretanto, não demorou para que o valor dos blindados fosse provado em combates posteriores, e, de fato, a contribuição deles já era reconhecida pelos círculos oficiais, como demonstra a ordem do dia n°76, expedita pelo alto comando em 20 de Abril de 1917: ‘Os blindados foram as primeiras forças a penetrarem a segunda linha inimiga na frente de Juvincourt e asseguraram sua conquista. Essa foi a primeira aparição no campo de batalha, e conquistaram, pelo próprio valor, um lugar de honra entre seus camaradas, demonstrando o que podemos esperar do carro de combate no futuro.’ ”
  

    O desenvolvimento das medidas defensivas contra os carros de combate também são tratados em seu contexto histórico ao longo do período.

   Como no pós guerra a Alemanha estava limitada pelo tratado de Versalhes a não possuir qualquer armamento moderno. 

   Isto inclui aviação, submarinos, artilharia pesada e tanques. A partir da página 163 vamos acompanhar a saga alemã na reconstrução destas armas. Interessante que, como o tratado os proibia de possuir os veículos, não falava nada sobre treinamento tático e técnicas no uso desta arma. Desta forma os oficiais alemãs se preparam nos estudos teóricos desta nova arma. E como os outros países continuavam a desenvolver o carro de combate, estes desenvolvimentos eram vorazmente analisados por este corpo de oficiais.



   Para escapar dos olhares da Liga das Nações, os primeiros blindados fizeram seus testes de campo na URSS.

  CONCLUSÃO

      Apesar de Guderian não usar o termo BLITZKRIEG, já que na verdade este termo, ao que tudo indica, foi ‘criado’ pela revista TIME, logo após a conquista da Polônia pela Alemanha. Mas é Guderian  quem vai lançar as bases desta inovadora tática de combate, no emprego de todas as forças em apoio mútuo.





 “O sucesso será provavelmente alcançado somente quando todo o sistema defensivo puder estar sob ataque mais ou menos ao mesmo tempo. Quando o ataque começar, a retaguarda inimiga deverá estar sob vigilância aérea para identificar o movimento dês reservas inimigas e para lançarmos nossos aviões de combate contra elas. As forças aéreas devem concentrar seus esforços para impedir ou pelo menos retardar o movimento de tais reservas para o ponto de ruptura da posição”







   Por útimo, interessante salientar que Guderian, quando soube da perspectiva da Alemanha invadir a URSS em 1941, escreveu um memorando ao Alto-Comando, opondo-se veementemente à operação Barbarosa.


  Boa leitura! 

sábado, 4 de novembro de 2017

Espadas Sacras. Jihad na Terra Santa - 1097-1291




“ Deus cobrará dos fieis o sacrifício de seus bens e pessoas, em troca do paraíso. Combaterão pela causa de Deus, matarão e serão mortos. É uma promessa infalível, que esta registrada no Torá, no Evangelho e no Corão. E quem é mais fiel à sua promessa do que Deus?”
Corão: Sura 9, v 111






  TITULO:  Espadas Sacras – Jihad na Terra Santa – 1097 - 1291

   AUTOR: James Waterson

   EDITORA: Madras

   PAG.: 236









   Sobre os autores:

   Graduado na escola de estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres. Mestrado pela Dundee. Autor de mais dois livros sobre o tema, Knights of Islam e The Ismaili Assassins.

  Sobre a obra:

      A presente obra, trazida até nós pela editora Madras, apresentada com a qualidade que já é padrão da editora, nos trás ao conhecimento o mundo Islâmico dos séculos XI ao XIII.


   
   
   O livro é uma janela aberta para podermos observar o fenômeno das cruzadas do ponto de vista do islã.





 “As invasões dos Seljúcidas na Síria começaram em 1063. Em 1077, foi feita uma tentativa de invadir o Egito e, em 1079, os turcos tinham tropas em Damasco e Jerusalém e madrasas propagando o credo sunita em Alepo, Damasco e Mossul. Durante essa incursão a oeste, quase de modo inadvertido, os turcos encontraram os bizantinos em batalha. O Sultão Alp Arslan tentou o seu melhor para negociar com o imperador bizantino, Romano Diógines e, assim, evitar o confronto. O Sultão pediu desculpas pelos excessos de seus irregulares turcomenos, mas o imperador não quis saber. Ele havia levado um exército impressionante para Anatólia e estava sob forte pressão política no império para obter uma vitória decisiva sobre os turcos. (...) Os exércitos se encontraram em um vale e, enquanto os bizantinos avançavam, os turcos simplesmente bateram em retirada. Os arqueiros turcos cavalgaram para cima e para baixo dos flancos bizantinos, despejando flechas e então fugindo, mas não havia nenhuma força em si para Romano combater.(...) O pânico que essa derrota induziu nos bizantinos começou a cadeia de eventos que levou Urbano II ao púlpito de Clermont em 1095.”

  

   


   Se você gostou do filme CRUZADA, vai encontrar neste livro a história dos eventos desenrolados no filme, a partir da página 163. Vamos conhecer Guy de Lusignam, Reinaldo de Châtillon a rainha Sibila e outros que são retratados no filme. Balião de Ibelin fora quem conduziu as defesas de Jerusalém.

   Mas, de fato, como retratado no filme, Jerusalém não era uma cidade importante para o muçulmano na idade média. Mas certo seria Saladino conquistar Tiro. Não o fazendo a deixou como base para os latinos, o que favoreceu a terceira cruzada, que vieram em resposta a queda de Jerusalém.





  CONCLUSÃO

      A vitória do Islã na Guerra Santa acabou trazendo fortes impactos. A costa da Síria fora destruída. Esta destruição foi uma mostra aos Europeus de que aquela era uma fronteira que não mais poderia ser ultrapassada. Não a toa vamos observar o gradual abandono da guerra naval pelos Muçulmanos, com algumas exceções a atividade de pirataria.


  Com o fechamento do mediterrâneo, o Europeu não teve outra alternativa a não ser se lançar ao Oceano. Outra consequência foi a militarização  da sociedade muçulmana  que os cruzados impuseram.

   E desde então o que assistimos é uma repetição do ‘olho por olho, dente por dente’. Os Francos tomaram Acre em 1191, dia 17 de Jumada, na terceira hora. Haviam prometido libertar os muçulmanos da cidade, mas depois mataram todos. Assim, quando os Muçulmanos tomaram Acre, também na terceira hora de 17 de Jumada, o sultão prometerá libertar os Francos, mas depois massacrou a todos.


   Um livro para estudantes de história e para aqueles que gostam de estudar o período das Cruzadas. Não é uma leitura das mais fáceis, mas vale a pena.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O amigo Alemão



“ Ignorando o piloto, Steinhoff foi em disparada para trás da asa e lutou nervosamente com o nicho do rádio, na parte da fuselagem em que era pintada a cruz preta e onde o kit de primeiros socorros ficava guardado. Ele abriu o nicho do rádio e se contorceu até conseguir entrar no compartimento do piloto. Depois de muita luta Steinhoff puxou um homem para fora do avião – pelos pés.

     O homem abraçou Steinhoff, caiu no chão e beijou a terra. Conforme as hélices de outros caças iam parando, Steinhoff correu até outro avião, arrancou o nicho do rádio e libertou outro homem de dentro da cabine, enquanto o piloto deixava tombar por cima dos comandos, exausto.

    Os pilotos de Steinhoff tinham deixado para trás, na África, ferramentas, munição e peças de reposição, mas não haviam abandonado seus mecânicos. (...)
   (...) eles tinham voado baixo até a Sicília, perto das ondas. Alguns 109s haviam sido abatidos ao longo da travessia, cada explosão custando duas vidas, pois os pilotos bravamente permaneceram nos aviões em vez de saltarem e abandonarem os mecânicos em seu interior. Apenas quarenta aviões do JG-77 conseguiram sair do continente negro.”









 TITULO:  O amigo alemão
  
 AUTOR: Adam Makos e  Larry Alexander
  
 EDITORA: Geração
  
 PAG.: 400

   






Sobre os autores:

      Adam Makos – Jornalista , historiador e escritor. Inspirado pelas histórias de seus avós sobre a segunda guerra, já entrevistou dezenas de veteranos, o que lhe rendeu trabalhos premiados e altamente elogiados pela crítica internacional.
      Larry Alexander – Jornalista e historiador militar, autor de uma série de livros sobre o tema. Ficou mundialmente conhecido quando sua obra “Bando f Brothers” foi transformada em mini série.

  Sobre a obra:

      Qualquer coisa que tente se descrever sobre este livro não chegará nem perto da riqueza humana que esta obra contém. O livro fala de pessoas, seres humanos que por acaso do destino participavam de uma guerra em lados opostos. Mas este mesmo destino os colocou em uma situação que mudou a vida deles para sempre.

     A obra é uma história real, ocorrida em 1943, quando um bombardeiro B-17 muito avariado, desgarrado de sua formação, esperava a morte certa. Em pleno céu da Europa ocupada a B-17 se arrastava para sair dali quando um caça alemão um ME-109 o alcançou. 


   Mas o que ocorre neste encontro vai desafiar toda a lógica da guerra. A história toda foi tão surreal que só veio à tona nos anos 80.

 

   
   O piloto Alemão, Franz Stigler, um ás e experiente piloto, ao deparar-se com a B-17 de Charlie Brown naquelas condições aflorou todo o ser humano que existia nele e guiou o B-17 em uma passagem segura pela ‘barreira do Atlântico’ e deu-lhe o rumo de casa. Esta simples atitude nos revela que apesar de toda a atrocidade da guerra, o espírito humano pode brilhar mais forte.


  








   Mas não bastasse aquele furtivo encontro em 1943, Franz e Charlie, que nunca haviam se conhecido pessoalmente, mais de 40 anos depois apertaram as mãos. Um encontro emocionante que com certeza vai levar as lágrimas, como a mim levou.











  CONCLUSÃO
     Esta obra é muito mais que uma história deste encontro. O livro conta toda a trajetória de vida destes dois pilotos durante toda a guerra.


    Uma verdadeira fonte de informação obre a formação dos pilotos alemães antes da guerra. Incrível relato dos pilotos que lutaram na frente Africana. Todo o desenrolar da guerra, o código de éticas do piloto Alemão e sua honra.



   Mais que uma história de guerra e guerreiros, uma história de homens que acreditavam e defendiam seu país e seu povo acima de tudo. O livro desconstrói aquela visão propagada pelos filmes, no qual os pilotos Alemães são mostrados sempre com rosto fechado, frios e calculistas. São humanos, claro, com sentimentos e emoções como qualquer um.


   Um livro necessário para qualquer um que estuda o período e gosta do tema. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

BIENAL DO RIO 2017



Você foi a Bienal do Rio 2017?

Este ano a bienal teve um sabor diferente para mim. Junto a Editora Perse, foi feito o lançamento do meu livro. Vários amigos estiveram presentes, meus pais, irmão.... Foi um dia muito especial e agradeço do fundo do coração aos que puderam ir.











  Se você não conseguiu ir, segue o link para compra do livro pela internet:


LIVRO KV- A Fortaleza de aço


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Bienal do livro 2017! Lançamento do Livro KV A Fortaleza de Aço


Boa tarde meus amigos.

Marcado nosso encontro na Bienal 2017!!!!
Dia 9 de Setembro, 12h às 14h

Conto com vocês lá!!!!!!!!!




domingo, 16 de julho de 2017

A Revolta da Chibata

  
" O mais polêmico e audacioso livro de Edmar Morel, dedicado ao marujo João Cândido, ganha de qualquer outro na bibliografia brasileira, tendo custado ao autor a cassação de seus direitos políticos. Morel pagou pelo crime de ter redimido dos insultos da historiografia dos donos do poder o magnífico marinheiro João Cândido"
Jorge Amado




   TITULO:  A Revolta da Chibata
   AUTOR: Edmar Morel
   EDITORA: Paz e Terra
   PAG.: 390

   Sobre o autor:
      Edmar Morel ( 1912 – 1989 ) – Pioneiro do jornalismo investigativo no Brasil, com reportagens de impacto sobre temas sociais e políticos. Trabalhou em grandes veículos de comunicação e na imprensa alternativa de esquerda entre 1930 e 1980. Publicou em 1959 ‘A revolta da Chibata’, após 10 anos de pesquisa. Entrevistou o próprio almirante Negro.


  Sobre a obra:
      Brasil, 1910, havíamos declarado abolição da escravidão em nosso país a apenas 22 anos. Uma jovem república, que ainda procurava se acertar.
      E a Marinha era uma dessas instituições. Apesar de se modernizar, ainda possuía um sistema de seleção do século anterior. Para piorar a situação, a marinha ainda mantinha o costume de aplicar os castigos corporais naqueles que desobedecessem as regras. E em uma sociedade que ainda guardava resquícios da escravidão, existia uma linha muito tênue entre a regra e a desobediência, principalmente quando os marinheiros eram em sua grande maioria pessoas negras e pobres, alistadas a força, nas ruas e nas cadeias.


    Dentro da instituição, existiam movimentos para abolir a chibata como ‘sistema disciplinar’, desde 1890. Mas nem uma delas se igualou a revolta de 1910.
   A ‘Revolta de Chibata’, como ficou conhecida, reuniu cerca de 2300 marujos.



   A revolta de 1910, no Rio de Janeiro, então Capital do Brasil, já estava sendo ‘cozida’ a algum tempo. Mas o estopim foi a pena de 250 chibatadas imposta ao marujo Marcelino Rodriguês, acusado de introduzir no encouraçado Minas Gerais duas garrafas de cachaça.

  “ Pensamos no dia 15 de Novembro. Aconteceu que caiu forte temporal sobre a parada militar e o desfile naval. A marujada ficou cansada e muitos rapazes tiveram permissão para ir a terra. Ficou combinado, então, que a revolta seria entre 24 e 25. Mas o castigo de 250 chibatadas no Marcelino Rodrigues precipitou tudo. O comitê Geral resolveu, por unanimidade, deflagrar o movimento no dia 22. O sinal seria a chamada da corneta das 22 horas. O Minas Gerais, por ser grande, tinha todos os toques repetidos na proa e na popa. Naquela noite o clarim não permitiria silêncio e sim combate. Cada um assumiu o seu posto e os oficiais de há muito já estavam presos em seus camarotes. Não houve afobação. Cada canhão ficou guarnecido por cinco marujos, com ordem de atirar para matar contra todo aquele que tentasse impedir o levante.
    Às 22h50min, quando cessou a luta no convés, mandei disparar um tiro de canhão, sinal combinado para chamar à fala os navios comprometidos. Quem primeiro respondeu foi o São Paulo, seguido do Bahia. O Deodoro, a princípio, ficou mudo. Ordenei que todos os holofotes iluminassem o Arsenal de Marinha, as praias e as fortalezas. Expedi um rádio para o Catete informando que a esquadra estava levantada para acabar com os castigos corporais.
  Os mortos, na luta, foram guardados numa improvisada câmara mortuária e, no outro dia, manhã cedo, enviei os cadáveres para terra. O resto foi rotina de um navio de guerra.”
  João Cândido
   

 

  Com os poderosos canhões da esquadra apontados para o Catete, então sede do governo, os revoltosos exigiam o fim dos castigos, melhoria da alimentação, melhores condições de trabalho e anistia aos revoltosos. O Governo se comprometeu a atender as revindicações e a conceder a anistia. Mas o fim da história não seria bem assim.
  Todos os líderes foram presos. Neste mesmo ano, uma denuncia de que a guarnição da ilha das cobras se amotinaria, fez com que a Marinha resolvesse agir antes. No dia 10 de Dezembro, pouco depois das 22 horas, os navios passaram a atirar contra o batalhão Naval e os canhões do exército martelavam a praça de guerra.
   A anistia concedida aos revoltosos da Chibata são canceladas e todos são mandados para a prisão. Alguns morrem devido aos maus tratos. Outros passam por um suplício maior.

  

  



“Senhor Deus dos desgraçados
  Dizei-me vós, senhor Deus,
  Se é verdade ou se é loucura
  Tanto horror perante os céus”
 Castro Alves






   66 marinheiros e mais 293 homens e 44 mulheres, tidos como ‘simpatizantes’ dos revoltosos, mas que não passavam de contras partidários. Foram metidos nos porões do navio cargueiro ‘Satélite’ e deportados para o Acre, para trabalharem na missão Rondom. Durante a viagem alguns seriam fuzilados, no que seria uma ‘tentativa’ de revolta.  Triste fim ainda aguardou aqueles que sobreviveram à viagem.

   Mas João Cândido resistiu apesar de tudo;

“O herói não renuncia nunca. Quanto mais sofre os golpes da adversidade, mais se sente com forças para reagir contra o destino implacável que o persegue.”
Silvio Moreira Lima.
     

  CONCLUSÃO
     Por muitos anos a história oficial do que ocorreu neste 1910 foi sendo recheada de inverdades. Relatórios da marinha foram emitidos com o intuito de retirar de João Cândido a liderança da revolta. Durante o estado Novo este foi um assunto proibido.
  Nos anos seguinte ao de 1946 começou-se a investigar a história. A primeira edição saiu em 1959, mas logo o golpe de 1964 acabou por diminuir as chances de uma discussão mais profunda. Somente com a abertura política isso foi possível
  Um verdadeiro legado de nossa história. Nossa história também possui sangue nas mãos e precisamos conhecer.

  

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