segunda-feira, 4 de junho de 2012

“A exceção de uma batalha perdida não há nada mais triste que uma batalha ganha “– Duque de Wellington (1769-1852)



A  guerra é a maior tragédia que o homem pode enfrentar. Diante de tantas tragédias: Fome, doenças e desastres naturais. A guerra em suas dimensões atuais pode facilmente ceifar toda uma parcela da humanidade.
 Sem dúvidas a Segunda Guerra Mundial, com mais de 40 milhões de mortos e um envolvimento sem precedentes na história do mundo, de quase todas as nações, é ainda hoje alvo de estudos, descobertas, revelações, teorias...
 Já li muitos livros sobre o conflito. Mas nenhum deles trás uma narrativa tão humana e cativante como este:
TITULO: Batalhas Ganhas e Perdidas
AUTOR: Hanson W. Baldwin
EDITORA: Bibliex
 PAG: 454
  Você já deve estar imaginando toda uma narrativa ao estilo rígido do militar. Com sua frieza de análise, no qual “as perdas são inevitáveis”. Negativo! Hanson W. Baldwin, era editorialista do New York Times quando escreveu este livro. Nas palavras do próprio: “ (...) Com a finalidade de tornar a história legível, interessante, viável e precisa.”
  Este livro eu comprei pelos idos de 1993, na própria Bibliex. É uma edição de 1978. Confesso que já esta bem “batida”. Já devo o ter relido umas 4 ou 5 vezes. Graças ao estilo jornalístico, fora fácil para mim, na época com meus 15 anos, compreender em um sentido humano, a segunda guerra mundial. E digo por que, aliado aos demais livros que já “destrinchava” sobre o assunto, consegui com a ajuda deste livro,  montar todos os aspectos do conflito, que já havia lido em outros livros, tais como: estratégias, armas, tropas, líderes e batalhas. Sabendo-os alocar nos momentos decisivos e entendendo-os como fatores críticos. E para minha grande surpresa, quando tinha 16 anos, meu Professor de história, grande Sérgio Trajano, me convidou para dar uma “palestra” sobre o tema, em uma turma de pré-vestibular.
 Mas voltando ao livro. Baldwin inicia seus capítulos sempre com uma data específica. Pode não parecer, mas esta referência temporal ajuda muito, principalmente após os EUA entrarem no conflito e então teremos eventos ocorrendo no Pacífico e na Europa, no mesmo instante.
  O primeiro capítulo é simplesmente triunfal. Intitulado “Queremos a Guerra”, inicia no sugestivo 31 de agosto, o ultimo dia de paz no mundo. Baldwin descreve, contando nas horas, todo o desenrolar de eventos que culminam com o inicio da Segunda Guerra mundial:
 O ultimo dia de paz – 31 de Agosto
Berlin – 1 hora
 (...) à 00:30 – meia hora depois da meia noite – a Chancelaria do Reich transmitiu a palavra código para a execução do caso branco – o ataque contra a Polônia.
(...)
 Berlim – 9 horas
 O embaixador italiano em Berlin, Bernardo Attolico, avisa a Roma que a situação é desesperadora... a guerra dentro de poucas horas”
(...)
 Oslo
 Os representantes das potências escandinavas – Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia – expelem a “habitual” declaração de neutralidade.
(...) Às 4:40 do dia 1° de Setembro de 1939, a luftwaffe bombardeia os aeroportos poloneses no país inteiro; (...)”

Em alguns capítulos o autor faz, ao final, um Retrospecto, crítica ou uma Síntese da batalha. Percebe-se uma neutralidade até utópica, nas avaliações dadas aos dois lados beligerantes. E isto torna, ao meu ver, o livro, um livro único.
 Eu jamais li, em outro livro, de uma forma tão “nua” a Campanha da Sicília. Se não me engano é o segundo maior capítulo no livro. E merece de fato uma atenção, pois para quem estuda o conflito, assim como eu, chega-se, em determinado momento, a se questionar sobre o por que da campanha na Sicília? E subsequentemente a Itália. Seria justificado como uma “areia nos olhos”, para desviar a atenção da Normandia. Seria? Mas com a quantidade de forças envolvidas, recursos e riscos, estas justificativa não são suficiente.
 Baldwin escolheu 11 batalhas, obviamente as mais importantes dentro do conflito. Este é um livro para todos os interessados sobre o tema. Mesmo que você esteja querendo começar a ingressar no tema hoje, ou se você já leu bastante coisa sobre o assunto. É um livro essencial. Eu digo isto a você por experiência própria. A forma como Baldwin, brilhantemente desenrola os acontecimentos, acaba servindo como uma “argamassa” que vai unir as demais informações, sobre o conflito, que você vier a buscar ou que já tenha previamente.
Para saber mais.
 Poderia indicar uma Pá de outros livros sobre o conflito, inclusive um já postado aqui, o ”Senta a Pua”. Mas vou deixar aqui apenas um, que falarei em um post futuro.
II Guerra - Momentos criticos. De autoria do nosso correspondente de guerra, Joel Silveira.


 Boa leitura.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Antoine de Saint-Exupéry

 Para entender uma obra é preciso compreender seu autor. Por vezes uma obra literária que a primeira vista possa parecer uma simples obra infantil, na verdade pode ser mais complexa que isto.
 Acredito que você já tenha lido, visto o filme, ou pelo menos ouvido falar no Pequeno Príncipe. Eu vi o filme pela primeira vez, deveria ter uns 8 anos. Quando pelos meus 12 anos tive a oportunidade de comprar o livro. Uma coisa interessante do Pequeno Príncipe, é que cada vez que você o lê, parece que seu significado filosófico vai se modificando e se adaptando a sua idade.
 Mas, como eu estava dizendo no inicio, para entender uma obra é preciso compreender seu autor. E nesta caso, obviamente estou falando de Antoine de Saint-Exupéry. Nascido em Lyon, à 29 de Junho de 1900. Filho de nobres Franceses, sempre demonstrou inclinação à filosofia.  Aviador, escritor, filosofo, humanista,... Saint-Exupéry estava à frente de seu tempo. Se a França tivesse que salvar alguém da Guerra, esta pessoa deveria ser ele. Mas o Homem, não podia ficar longe “dos homens”. Em 1944, o avião que pilotava, um P-38 de reconhecimento avançado, foi abatido. Durante anos seu paradeiro fora uma incógnita. Até que em 2004 os restos de seu avião foram encontrados. O corpo jamais foi encontrado. É mais feliz assim, faz-nos supor que o Príncipe o levou à conhecer as estrelas.


 Eu já li alguns outros livros de Saint-Exupéry, como “Um sentido para a vida.” e “Cidadela”. Recomendo ambos. Mas o livro do qual gostaria de falar aqui, é um bem menos conhecido, publicado após a sua morte:

TITULO: ESCRITOS DE GUERRA
 AUTOR: ANTOINE DE SAINT-EXUPERY
EDITORA: NOVA FRONTEIRA
PAG.: 620

 A edição que comprei, em 1994, é de 1986. Desconheço reedições mais recentes. Então provavelmente você só o encontrará em sebos, ou na internet.
 O livro na verdade, não é uma obra literária do autor. Trata-se de uma coletânea de notas, cartas, artigos,... Alguns inclusive inéditos.
O livro divide toda esta documentação por ano, vindo desde 1939, até o ano de 1944.
 Algumas das cartas enviadas por Saint-Exupéry à amigos, trazem alguns rabiscos do “principezinho”.  Alguns destaques que gostaria de deixar registrado:

Vergonha da Guerra...Vergonha da Paz
 Para curar um mal estar é preciso esclarecê-lo. E certamente vivemos no mal estar. Escolhemos salvar a Paz. Mas salvando a paz, mutilamos os amigos. E sem dúvida muitos dentre nós estavam dispostos a arriscar a vida pelos deveres da amizade. Estes conhecem uma espécie de vergonha. Mas se tivessem sacrificado a paz, conheceriam a mesma vergonha. Porque teriam então sacrificado o Homem: Teriam aceitado o irreparável desmoronamento das bibliotecas, das catedrais (...). Quando a paz nos parecia ameaçada, descobrimos a vergonha da guerra. Quando conseguimos evitar a guerra, sentimos a vergonha da paz.”

 A moral do Declive
 “ Nossa finalidade na guerra? Defender nossa própria substância. Mais do que nossas leis, mais do que nossas pedras, mais do que as fábulas de La Fontaine, (...). Combatemos para que não tenham o direito de ler nossas cartas em público, para não sermos submissos à massa. Para rezar quando nos agrada, se somos religiosos. Para escrever como nos agrada, se somos poetas. (...)

 Aos Americanos
Em procurar apreender o mundo em um sistema conceitual e eficaz reside, na verdade, a grandeza do espírito humano.
 Mas é também fraqueza sua acreditar nisso demais. Quando um sábio fundamenta uma teoria, ele não crê desde o começo em suas qualidades. Sabe que não se trata senão de uma linguagem apropriada a ordenar o mundo e que somente a ordem vale alguma coisa. A virtude de uma teoria é a clareza. E a teoria é abandonada se criar mais obscuridade que clareza.(...)
Sim, a Alemanha foi uma grande nação de sábios, mas ela não é mais uma nação de técnicos. Vocês sabem como se desenvolve o pensamento humano: da livre contradição nasce um feixe de provas contrárias que opõem o movimento de seus contrários ao movimento da única teoria. E, quando o mal estar é muito grande, quebram-se os moldes estreitos demais. (...).  A liberdade do espírito é que permite a progressão do pensamento.
(...)”

 O livro também apresenta um rascunho de ideias que mais tarde se tornarão o livro “Cidadela”. É muito interessante notar que Saint-Exupery se refere a “conceitos”, ele escreve assim:
“ Conceito da troca
  Conceito dos saqueadores.(Acabar com a nascente bebendo)
 Conceito das perguntas que morrem
 Conceito do tempo que corre e do tempo que preenche.
(...)”

 O livro trás uma série de cartas, inclusive para sua mãe, à amigos e algumas em respostas a outras, onde Saint-Exupéry mostra todo seu “eu” interior.
 Uma carta que achei bem interessante foi uma dirigida a Roger Beaucaire, que inclusive é inédita até então.
  A carta, só para ilustrar, termina brilhantemente assim:

“(...)
 O que, alias, não serviria para nada, pois você me repreenderia em seguida por propor somente uma verificação matemática, não uma demonstração, uma vez que teria sido necessário distinguir os parâmetros que definem eletronicamente os corpos verdes e só os definem, e depois expor que a demonstração vale por esta medida comum, qualquer que seja o objeto aplicado.
 O que é sem dúvida um trabalho excessivamente chato. Eu, por mim, admito que a cor verde não atrapalha os pêndulos.”

 Um texto que você já deve ter ouvido, ou lido em algum outro livro, de autoria de Saint-Exupéry, chamado “Carta a um refém”, também esta nesta obra.
 Ele trabalhava como repórter durante a guerra civil Espanhola, quando foi preso e condenado a morte por espionagem. É um texto com observações profundas, sensibilidade e patriotismo notável.

“(...).
 Parece-nos, ao contrário, que nossa ascensão não terminou, que a verdade de amanhã nutre-se do erro de ontem, e que as contradições a suplantar são o húmus de nosso crescimento. Reconhecemos como nossos aqueles mesmos que diferem de nós. Mas que estranho parentesco! Ele se baseia no futuro, não no passado. No fim, não na origem. Somos, uns para os outros, peregrinos que, ao longo de caminhos diversos, sofremos em direção ao mesmo encontro.
(...) Os problemas são incoerentes, as soluções contraditórias.A verdade de ontem esta morta, a de amanhã esta ainda por construir. Nenhuma síntese válida é entrevistada, e cada um de nós detém apenas uma parcela da verdade. Por falta de evidências que as imponham, os credos políticos apelam para a violência. E eis que, dividindo-nos quanto aos métodos, arriscamo-nos a não mais reconhecer que nos apresamos para o mesmo fim.
(...)”

 O que mais dizer sobre este livro?
 Acho que deu para perceber que eu gosto de Saint-Exupéry. Ainda vou falar aqui de outros livros dele. Eu recomendo todos eles:

- O aviador
 - Correio do sul
 - Voo Noturno
 - Cidadela
 - Terra dos Homens
 - Um sentido para a Vida
 - O Pequeno Príncipe

 Se você leu o Pequeno Príncipe, leia este livro, depois retome a leitura da Pequeno príncipe. Um experiência que vale a pena.

 Ótima leitura para você.

 LINKS

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Antoine_de_Saint-Exup%C3%A9ry
 http://www.frasesfamosas.com.br/de/antoine-de-saint-exupery.html
 http://www.antoinedesaintexupery.com/

terça-feira, 29 de maio de 2012

O Vaticano e Hitler

Como você escolhe um novo livro para ler? Indicação de um amigo? Propaganda em revistas? Internet?
 Eu costumo jogar um tema na internet e filtro os resultados. Sempre aparecem uns 3 ou 4 livros sobre o assunto. Trás ótimos resultados.
 Mas o gostoso mesmo é rodar pela livraria até que o livro me escolha. O problema é que nem sempre a esposa gosta muito da idéia de ficar um tempo rodando as prateleiras cheias de livros. Mas, em fim, quando o livro me acha inicio um ritual, para ter a certeza que era o livro que eu não esperava e que poderá me surpreender. Geralmente começo lendo a parte de trás. Depois parto para as abas. Ainda não conquistado, leio a introdução. Neste ponto já me decidi pelo livro. Poucas vezes recorro a ultima etapa do “ritual”, que consiste em abrir o livro, em uma página aleatória, e ler um parágrafo. Repito por mais 2 páginas e pronto. Esta decidido.
 Pouquíssimos livros que chegaram a esta etapa do ritual voltaram para a prateleira. Eu me lembro de um, que foi reprovado no ritual. E este não foi um livro que me escolheu. Foi um que estava decidido a comprar. Havia lido uma matéria sobre ele em uma revista e me interessei. O livro tem o título de “O Papa de Hitler” de J. Cornwell. O que me levou a não comprá-lo foi que achei o mesmo muito especulativo. Especulações respondidas com mais especulações sem muita coisa de concreto.


 Eu gosto de especulações, nos levam a pensar. Porem estas teorias tem que ter uma base concreta. Mas pelo que pude perceber, esta é baseada em um ou dois pontos e pior, percebe-se uma condução do leitor para o caminho que o autor esta especulando. Não fornece muitas outras provas para o leitor pensar a respeito e decidir-se. Bem, como disse, não li o livro, mas pelo que li na introdução e em 3 páginas abertas ao acaso, esta foi minha conclusão. Mas o assunto me deixou curioso.
 Usando o recurso da internet achei o filme “AMEM”. ( FILME )



“AMÉM”, é um filme de 2008, do diretor Costa-Gravas. Este filme é considerado mais polêmico que “Paixão de Cristo” de Mel Gibson. O Filme chegou a ser censurado na Itália. Na França, só a colocação de seu cartaz provocou protestos e processos na justiça, pelos católicos mais radicais. Como deu para perceber, este filme é dinamite pura. Fica minha recomendação.
 Só aumentou minha curiosidade. Uns 8 meses depois, andando por uma livraria, fui encontrado pelo livro:



TITULO: O Vaticano e Hitler – A condenação Secreta
AUTOR: Peter Godman
 EDITORA: Martins Fontes
 Pag.: 285

 Peter Godman é da Nova Zelândia e Prof. De literatura e língua medieval em Roma. E para minha surpresa, a introdução do livro quase que exclusivamente, se refere ao “Papa de Hitler”:
 “(...)
 O argumento da acusação, por ser simétrico, é de fácil entendimento. Em um dos lados do banco dos réus esta Hitler, culpado e condenado. Do outro lado esta o Vaticano, cúmplice de seus crimes. Mas a simetria é frágil em suas bases, visto que é construída sobre provas manipuladas para servir à polemica fácil.
(...)
Para alguns, o trabalho em arquivos empoeirados é menos atraente que a brisa fresca da especulação e o brilho  fulgurante da publicidade.(...)”

 Um dos pontos que o próprio livro cita, é o fato de que o Vaticano durante muito tempo negou o acesso aos documentos da década de 30 e 40. Desta forma pode-se tirar conclusões bizarras.
 Peter Godman faz um trabalho de pesquisa, nos levando a entender todo o mecanismos que faz funcionar o Vaticano. Como alguns podem pensar, erroneamente, Godman não tenta mostrar só o lado “certinho” deste período. Ela mostra, como PIO XI, por exemplo, promoveu uma cruzada contra os comunistas. Em 1933 ele demonstra admiração pelas ações de Hitler contra o Comunismo.
 Mas o fato é que o Vaticano, plantado no coração da Itália, governada por um dos preferidos de Hitler, com uma ameaça aos dogmas cristãos na figura de Stalin, acabou optando por um "caminho do meio". Trataram de defender os seus, ou seja os católicos. E este é um ponto de impasse. Existiriam dentro do vaticano focos “anti-semitas”?  Peter Godman nos coloca uma série de documentos, sem nos induzir a uma resposta. A decisão é do leitor.
 Fica claro pelos memorandos Papais o desagrado com relação ao Nazismo. Publicamente tentaram se manter o máximo “neutros”.
 Mas os fatos falam por si. No fim da Guerra a porta por onde os Nazistas fugiram para a America do sul, foi o Vaticano.
 Para quem quer saber mais sobre este período negro da história da humanidade é uma ótima leitura. Não é um livro de leitura fácil. Mas é um exemplo de como se deve fazer uma pesquisa investigativa e não um livro especulativo.
 Destaque aos apêndices, que reproduzem os documentos de época, inclusive em italiano, com suas respectivas traduções.
 Para saber mais:

Vale a dica do Filme, “AMÉM.”





quinta-feira, 24 de maio de 2012

Brésil, mon Brésil Brésil ...


 Quando tinha meus 13 anos tive um sonho que nunca mais esqueci. Sonhei que todos nós falávamos todas as línguas. Isto mesmo, éramos todos poliglotas. Mas não era simplesmente saber falar todas as línguas, existiam regras de aplicabilidade para cada idioma. Não era assim, “Há hoje eu vou falar em Alemão!”. Não existia isto. As línguas tinham que ser usadas da seguinte maneira. Para uma conversa romântica, o idioma obrigatório era o Frances. “Vous êtes merveilleux. Je suis dans l'amour”. Para uma conversa técnica, sobre motores, carros, ... Tinha que ser em alemão : ” Dieses Auto ist das stärkste”. Para bate-bocas o bom e velho Italiano: “cosa pensi che questo sta ancora facendo ora stupide”. Quando a coisa ficava mais feia, ou seja, o negócio ficava Russo, o idioma era o Russo. “Вы будете делать то, что я собираюсь делать, и передача”. E por ai vai.
 Para as conversas informais era permitido o uso do idioma nativo. Esta historia agora me fez lembrar de meu professor de Literatura, Carlos Gil. Certa vez um amigo meu perguntou para ele porque nosso português era diferente do de Portugal. Nossa, foi uma verdadeira viajem...
 Você já pensou em falar uma outra língua? E se nós brasileiros, falássemos uma outra língua? Nossa língua nativa tinha que ser o Tupi-Guarani. Mas você sabia que por pouco não acabamos falando Frances?



TITULO: O Brasil na rota da navegação Francesa
AUTOR: Julio Bandeira
EDITORA: RELER
Pag.: 127. ( Sendo metade em Português e metade em Frances )

 Este livro eu ganhei quando trabalhava no Porto de Itaguaí. Na época um grande amigo, que fiz no Porto,  me “presenteou” com uma edição deste livro. Lembra daquela história das 2 colunas por página? Então, este livro é assim. Porem suas dimensões são quase de uma folha A4, o que torna a leitura bem mais agradável.
 Alem da leitura não poderia deixar de citar o maravilhoso trabalho gráfico. Impossível não se deixar encantar pela edição. Uma belíssima encadernação em capa dura, papel de impressão couche fosco. Um livro para se ter e admirar. 


  A influência Francesa em nossa cultura, e porque não dizer, em nossa história, é mostrado de forma cronológica, desde  a descoberta, passando pela independência, Jacques Cousteau’s, indo até os anos de 2004 e 2005. Um trabalho de pesquisa brilhantemente montado e escrito.
 Apesar de já estudar a história a algum tempo, lendo este livro, tomei conhecimento de coisas que foram, na época, inéditas para mim.
 O Autor consegue unir à pesquisa sócio / econômica, as curiosidades e casos da época.

 " Não é necessário passaporte para entrar no Brasil. (...) mas desembarcar no Rio de Janeiro, é preciso uma chalupa ou um escaler. (...) Não existem tarifas. Os preços variam(...). É preciso entender-se com o proprietário." 
 Edmond Garnier - 1909 

 Aos amantes da História, este livro é Obrigatório. 
 Na verdade eu diria que para todos os Brasileiros, este é um livro obrigatório.

 Ótima leitura.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

"Ecos de uma vida"


Os caças da segunda Guerra mundial sempre me fascinaram. Lembro que a primeira vez que vi a foto de um Messerschmitt, ME-109 fiquei super impressionado com as linhas do avião. Logo depois conheci o P-40, o P-47, o P-51,... Todos aviões clássicos da guerra.
 Um avião que sempre me deixou impressionado foi o Focke-Wulf FW-190. Um caça alemão multifuncional, de asa baixa, de construção semimonocoque em metal, revestido em duralumínio e com superfícies de controle cobertas por tecido. Tonaria-se, ao lado do Messerschmitt Bf 109, um dos principais caças da força aérea alemã durante a Segunda Guerra Mundial, operando em todos os teatros aos quais a Luftwaffe esteve presente. Desempenhou o papel de caça de superioridade aérea, escolta e interceptação, bem como caça-bombardeiro no apoio próximo às unidades em terra.
 O P-51 construiu toda uma áurea em torno dele. Virou o grande símbolo da guerra aérea durante este período. Os caças nazistas, claro, sempre ficaram renegados a segundo plano. O motivo é simples, a história é sempre contada do ponto de vista dos vencedores. Mas para quem, assim como eu, se interessa pela história deste período, nada melhor do que poder vê-la também pelo outro lado. Mas não é fácil. Existem livros sobre os caças nazistas e Japoneses, escrito por Americanos.
 Finalmente, passeando pela internet me deparei com este livro:


TITULO: Ecos de uma vida
AUTOR: Nikolaus Von Siegert
EDITORA: Adler
Pág.: 128
 
  Este livro é uma auto biografia. Ele que foi piloto de FW-190 durante a segunda Guerra mundial. Este livro é uma grande viajem no tempo. Nos é revelado, pela visão do autor, todo o processo de treinamento dos futuros pilotos da Luftwaffe. Seus conhecimentos sobre os caças e bombardeiros aliados. Ponto excitante, a narrativa de sua experiência em combate. Infelizmente seu treinamento já se deu pelos idos de 1943. A Alemanha já sofria com os ataques aéreos e por conta da necessidade de pilotos, os treinamentos eram levados ao mínimo necessário. Por conta disto obteve apenas 3 vitórias confirmadas em sua curta carreira como piloto da caça. ( Existem informações que este número seria de 11 vitórias )



  Um relato surpreendente sobre a Alemanha pós guerra. Eu  já tinha ouvido certa vez, que aos pilotos alemãs fora oferecido uma remuneração para os mesmos lutarem contra o Japão. Nikolaus expõe esta situação, sendo confirmado para mim, o que achava tratar-se mais de uma “lenda”.
 As surpresas deste livro não terminam com o fim da guerra. Nikolaus veio para o Brasil, viveu no Rio de Janeiro e em São Paulo. Aqui no Brasil conseguiu tirar um novo Breve e pode voltar a Voar. 


  
  Nikolaus não era um Nazista, como muitos podem pensar. Era só um jovem com paixão por aviação de caça. Quis o destino que fosse Austríaco. Então para ter o seu sonho realizado foi piloto da Luftwaffe.
 Uma história de vida que com certeza agradará à todos. Sem precedentes, pelo menos até onde já pude ler sobre o assunto.
 Um livro para quem quer entender o período crítico da guerra, do ponto de vista de quem estava na Alemanha. Uma história de luta, desafios, tristezas e alegrias. Em fim, à história de uma vida. Uma vida que se encerrou em 2005.

 Ótima leitura.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Acaso ou destino?


Destino... Você acredita em destino? Acredita que estamos pré-destinados? Que toda a nossa vida, apesar de nosso livre arbítrio, já esta traçada? E que por mais que façamos escolhas, o Universo sempre encontrará um jeito de “acertar” as coisas?
 Eu já falei um pouco deste “mecanismo Universal”, que parece sempre conduzir as coisas para um determinado fim. Obviamente que em nosso dia à dia não nos damos conta. Mas quando analisamos a história passada, notamos que alguns fatos parecem tão propositalmente inseridos que podemos, neste instante, acreditar em qualquer teoria louca da conspiração.
 Um simples ponto colocado no local errado de uma ordem, leva um exército à sua total destruição. Um barril de aguardente proporciona o iniciar de eventos que culminarão com a queda da Bastilha. Por falta de pregos, toda a brilhante e corajosa investida de um exército termina em sua destruição e uma humilhante derrota.
 Nas palavras de Eric Durschmied:
 “ Destino não é algo que se escolhe, ele simplesmente acontece e afeta a vida e a morte de um homem. O destino é um evento cuja ocorrência depende inteiramente da vontade de outras pessoas. Basta uma ordem estúpida e um homem estúpido o bastante para cumpri lá.”

 
TITULO: Fora de Controle
AUTOR: Eric Durschmied
EDITORA: Ediouro
PAG.: 430

 Este é o meu livro de cabeceira. Se você me encontrar em casa e eu não estiver lendo um livro novo, provavelmente me acharás com este livro na mão. É impossível não rele-lo.
 Neste livro, Eric Durschmied nos transporta através das principais batalhas da história. De Tróia a Guerra do Golfo, passando por Napoleão, Hitler e até pela queda do Muro de Berlin. Com sua narrativa Jornalística, ele recria todos os cenários, diálogos e acasos. Sim acasos... Pois é sobre isto que se trata a obra. Eric nos revela como o acaso e a estupidez mudaram a história do mundo.
 Eric Durschmied é jornalista historiador, que nasceu e Viena, nos anos 30. Após a segunda Guerra emigrou para o Canadá. Foi correspondente das tv’s BBC e CBS. Cobriu os conflitos no Afeganistão, Belfast, Beirute, Irã, Iraque e Vietnã. Diversas vezes premiado pelos seus trabalhos de correspondente de guerra. Vive em Paris atualmente.
 Por ter sido correspondente no Vietnã, o capitulo XV “Morte de um Homem, Vietnã, 31 de Janeiro de 1968”, é um relato em primeira pessoa, com uma narrativa empolgante e ao mesmo tempo assustadora daquele período.

 
 Alguns podem querer criticar a obra de Eric pelo mesmo tentar fazer suposições do tipo, “E se...”. Obviamente que a história não pode ser mudada, então que mal há em se fazer especulações a cerca do desenrolar dos fatos? Eu gosto deste tipo de abordagem. Nós faz refletir em como chegamos até aqui. E esta é uma questão que parece simples, mas não é. Conta-se, não sei até que ponto a história é verídica, que um grupo de cientistas foi reunido e eles tiveram como objetivo formular uma única pergunta que seria dirigida a uma entidade extraterrestre, quando ela fizesse contato. E a pergunta foi: “ Como vocês conseguiram?”
 Um livro para se ler e refletir sobre estas gerações que perderam o melhor de sua época, por conta de acasos e idiotices de alguns comandantes.

 
 A sinopse deste livro, começa assim: “ Uma visão das mais importantes batalhas de História; e você não precisa ser conhecedor da área nem temer que seja um livro árido: nada disto.” Freia ai!!! Vale aqui uma humilde opinião minha. De fato o livro em momento algum é de uma leitura árida, pelo contrário. Porém, devo discordar com relação ao que ele diz a cerca de não precisar ser um conhecedor da área. Se você não conhecer um mínimo que seja do contexto histórico no qual esta inserida a batalha, o livro pode, em alguns capítulos, se tornar “muito militar”. Vou citar um trecho para melhor compreensão:
 Cap X – Pag 227 – “ Foi tudo muito simples. Samsonov caiu na armadilha no momento em que o 2° Exército saiu de Neidenburg e atacou o centro exposto da 20° unidade alemã, (...). A linha Alemã não se rompeu. Em seguida, Samsonov viu-se no meio da artilharia cerrada das unidades de Mackense e Below, que aniquilaram o flanco direito dos Russos. Quando Samsonov tentou escapar, rumando para o noroeste com suas tropas, deu de frente com a 3° unidade de reserva, enquanto a 17° unidade se deslocava para o sul, para unir-se a 1° unidade perto da aldeia de Willenberg. A precisão da artilharia alemã, orientada por aviões, foi essencial para o êxito.”

 De certo modo é um livro que eu recomendo a todos os tipos de leitores.

Para Saber mais:
 - Enciclopédia das Guerras. – Editora MBooks
 - Filme – CRUZADA. Título original Kingdom of Heaven.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Livros com Histórias!

  Não preciso dizer que adoro livros. Adoro ir as livrarias. Uma Nobel, uma Saraiva ou uma Fnac... Posso passar horas olhando todos os livros até me decidir por um ou dois.
 Hoje é tão mais fácil achar o livro que você quer, todos estão separados por assuntos, “ AUTO-AJUDA”, “RELIGIÃO”, “DIREITO”, “HISTORIA”... Aquelas atendentes sempre atenciosas. Porem dificilmente sabem onde esta o livro que você procura, sem olhar no computador. Outro dia tive que soletrar um título para a atendente poder procurar.
 Há..., mais quando tem aqueles cafés anexos... Que maravilha poder curtir as primeiras páginas do livro, ali, na livraria mesmo, entre um gole e outro de cappuccino. Enquanto isto minha filha se delicia na mesinha rabiscando algumas folhas de A4 com lápis de cera e minha esposa desfolha uma edição de CARAS.

 
 Mas sinceramente, por melhor que seja a livraria, nenhuma delas tem aquela atmosfera dos Sebos. Aquele cheiro dos livros que foram guardados durante anos em gavetas, porões e sótãos. Não existe uma ordem para expor o livros. No máximo são separados em pilhas, por valor.
 Eu sou um apaixonado por sebos. Cresci comprando em sebos. Principalmente os do Centro do Rio de Janeiro. Rua da Carioca, Rua Sete de Setembro, Av. Rio Branco...Infelizmente não lembro o nome destes sebos. Mas quantas lembranças. Meu pai e eu pegávamos o trem bem cedo, saltávamos na Central e começava a garimpagem.
 Porque, comprar em sebo é isto mesmo, garimpagem. Quanto menor é o sebo, mais os livros são “amontoados”. Os que estão em melhor estado, ou que custam mais caro, ficam bem amostra. Mas eu gosto de “desenterrar”, (ou seria “desenlivrar”?), aqueles que ficam bem fundo na pilha, ou lá no fim da loja. Mas se você estiver atrás de um título específico, é só perguntar ao dono. Em meio aquele monte de pilhas e tabuas improvisadas de prateleiras, ele segue como se tivesse um GPS. De imediato revolve uma pilha no canto da loja, afasta uns livros para o lado e logo já esta batendo a poeira do titulo que você pediu. E quando você pergunta o preço? Pensa que ele vai a um computador, passar o scanner? Não. O valor, quando não esta escrito a lápis na contra capa, ou indicado na “seção”, é dado no olho. E sempre rola aquele “choro”, ou uma compra casada. Esta é a grande magia do sebo. Não sei se hoje ainda é assim, mas era desta forma nos anos 90.

 
Mas falando em sebo, eu não poderia deixar de registrar um sebo, se é que podemos chamar de sebo. Talvez seria melhor dizer, “um revendedor de livros usados”. Mas não é disto que se trata?  Bem..., para quem conhece Nova Iguaçu, entrando pelo beco, ao lado da praça da Liberdade, indo em direção a antiga Pernambucanas, havia um senhor que todos os dias chegava ali, com uma mala. Ele deixava a mala aberta em um lado e no outro ele dispunha os artigos para venda. Livros!! Não mais que uns 50 por vez,afinal a mala não comportava mais que isto. Aos poucos a quantidade de livros foram aumentando. Para poder dar conta ele fez um acordo com alguns lojistas que o deixavam guardar seu material nas lojas. Era um senhor de origem humilde, mas que desde cedo tomou gosto pelos livros e sempre quis trabalhar com eles. Havia lido a maioria dos livros que vendia. Citava outras obras, mesmo de autores estrangeiros. Confesso que seus preços não eram melhores que os do Centro. Mas pelo fato de saber que comprando dele o estava ajudando, valia a pena.
 Um outro sebo bem interessante, foi um que descobri por acaso, em Miguel Pereira, interior do estado do RJ. Nós estávamos passando um final de semana em Miguel Pereira, era o ano de 2003. No sábado pela manhã saímos da pousada e fomos andar pelo centro. Parei o carro em uma ladeira, ficava uma rua antes da Igreja Matriz. E esta ladeira, lembro que desembocava na rodoviária.
 Assim que saltei dei de frente com uma das já conhecidas tabuas, improvisadas de prateleiras. Nem podia acreditar. Olhei em volta para encontrar a entrada. Logo a vi, era uma destas portas de ferro, tipo de bar. Não havia muitos livros. De fato pelo que estava acostumado aos sebos do centro, podia-se dizer que este estava vazio. Mas os livros estavam em excelentes condições. Comprei um da coleção Historia Ilustrada da Renes, que estava novo. Fui andando para o fundo da loja, meu instinto para “desenlivrar” estava me conduzindo. E de fato, no fundo da loja um livro “grosso”, meio torto pelo próprio peso, me chamou atenção. “Desenlivrei” então um dos livros que mudaram totalmente alguns conceitos em minha vida. O livro não estava nos seus melhores dias, a capa estava bem gasta, mas não soltava página, então deveriam estar todas ali. Este livro era a Biografia de Bader, conhecido como o “piloto sem pernas”. Vou falar deste livro em um próximo Post. È simplesmente arrebatador.
 Meu ultimo contato com sebo foi em 2004, ano de meu casamento. Só que ao invés de comprar, fui para vender. Eu tinha muitas revistas, havia coleções de SUPERINTERESSANTE, ASAS, FLAP INTERNACIONAL, SKYDIVE... Lotei a mala do carro. Não tinha como levar para a minha casa e também não achava justo deixá-las para as traças. Consegui R$150,00 por tudo. Pagou a Gasolina da Lua de Mel.
 Bem agora os livros são comprados pela internet, baixamos e-books ou vamos a uma livraria no shopping. Mas nada chega perto do clima bucólico de um sebo. 

 
Acho que vou colar um adesivo no carro, “ Operação comprem livros nos sebos EU APOIO”

 Ótimas leituras.


Pesquisar este blog