segunda-feira, 18 de setembro de 2017

BIENAL DO RIO 2017



Você foi a Bienal do Rio 2017?

Este ano a bienal teve um sabor diferente para mim. Junto a Editora Perse, foi feito o lançamento do meu livro. Vários amigos estiveram presentes, meus pais, irmão.... Foi um dia muito especial e agradeço do fundo do coração aos que puderam ir.











  Se você não conseguiu ir, segue o link para compra do livro pela internet:


LIVRO KV- A Fortaleza de aço


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Bienal do livro 2017! Lançamento do Livro KV A Fortaleza de Aço


Boa tarde meus amigos.

Marcado nosso encontro na Bienal 2017!!!!
Dia 9 de Setembro, 12h às 14h

Conto com vocês lá!!!!!!!!!




domingo, 16 de julho de 2017

A Revolta da Chibata

  
" O mais polêmico e audacioso livro de Edmar Morel, dedicado ao marujo João Cândido, ganha de qualquer outro na bibliografia brasileira, tendo custado ao autor a cassação de seus direitos políticos. Morel pagou pelo crime de ter redimido dos insultos da historiografia dos donos do poder o magnífico marinheiro João Cândido"
Jorge Amado




   TITULO:  A Revolta da Chibata
   AUTOR: Edmar Morel
   EDITORA: Paz e Terra
   PAG.: 390

   Sobre o autor:
      Edmar Morel ( 1912 – 1989 ) – Pioneiro do jornalismo investigativo no Brasil, com reportagens de impacto sobre temas sociais e políticos. Trabalhou em grandes veículos de comunicação e na imprensa alternativa de esquerda entre 1930 e 1980. Publicou em 1959 ‘A revolta da Chibata’, após 10 anos de pesquisa. Entrevistou o próprio almirante Negro.


  Sobre a obra:
      Brasil, 1910, havíamos declarado abolição da escravidão em nosso país a apenas 22 anos. Uma jovem república, que ainda procurava se acertar.
      E a Marinha era uma dessas instituições. Apesar de se modernizar, ainda possuía um sistema de seleção do século anterior. Para piorar a situação, a marinha ainda mantinha o costume de aplicar os castigos corporais naqueles que desobedecessem as regras. E em uma sociedade que ainda guardava resquícios da escravidão, existia uma linha muito tênue entre a regra e a desobediência, principalmente quando os marinheiros eram em sua grande maioria pessoas negras e pobres, alistadas a força, nas ruas e nas cadeias.


    Dentro da instituição, existiam movimentos para abolir a chibata como ‘sistema disciplinar’, desde 1890. Mas nem uma delas se igualou a revolta de 1910.
   A ‘Revolta de Chibata’, como ficou conhecida, reuniu cerca de 2300 marujos.



   A revolta de 1910, no Rio de Janeiro, então Capital do Brasil, já estava sendo ‘cozida’ a algum tempo. Mas o estopim foi a pena de 250 chibatadas imposta ao marujo Marcelino Rodriguês, acusado de introduzir no encouraçado Minas Gerais duas garrafas de cachaça.

  “ Pensamos no dia 15 de Novembro. Aconteceu que caiu forte temporal sobre a parada militar e o desfile naval. A marujada ficou cansada e muitos rapazes tiveram permissão para ir a terra. Ficou combinado, então, que a revolta seria entre 24 e 25. Mas o castigo de 250 chibatadas no Marcelino Rodrigues precipitou tudo. O comitê Geral resolveu, por unanimidade, deflagrar o movimento no dia 22. O sinal seria a chamada da corneta das 22 horas. O Minas Gerais, por ser grande, tinha todos os toques repetidos na proa e na popa. Naquela noite o clarim não permitiria silêncio e sim combate. Cada um assumiu o seu posto e os oficiais de há muito já estavam presos em seus camarotes. Não houve afobação. Cada canhão ficou guarnecido por cinco marujos, com ordem de atirar para matar contra todo aquele que tentasse impedir o levante.
    Às 22h50min, quando cessou a luta no convés, mandei disparar um tiro de canhão, sinal combinado para chamar à fala os navios comprometidos. Quem primeiro respondeu foi o São Paulo, seguido do Bahia. O Deodoro, a princípio, ficou mudo. Ordenei que todos os holofotes iluminassem o Arsenal de Marinha, as praias e as fortalezas. Expedi um rádio para o Catete informando que a esquadra estava levantada para acabar com os castigos corporais.
  Os mortos, na luta, foram guardados numa improvisada câmara mortuária e, no outro dia, manhã cedo, enviei os cadáveres para terra. O resto foi rotina de um navio de guerra.”
  João Cândido
   

 

  Com os poderosos canhões da esquadra apontados para o Catete, então sede do governo, os revoltosos exigiam o fim dos castigos, melhoria da alimentação, melhores condições de trabalho e anistia aos revoltosos. O Governo se comprometeu a atender as revindicações e a conceder a anistia. Mas o fim da história não seria bem assim.
  Todos os líderes foram presos. Neste mesmo ano, uma denuncia de que a guarnição da ilha das cobras se amotinaria, fez com que a Marinha resolvesse agir antes. No dia 10 de Dezembro, pouco depois das 22 horas, os navios passaram a atirar contra o batalhão Naval e os canhões do exército martelavam a praça de guerra.
   A anistia concedida aos revoltosos da Chibata são canceladas e todos são mandados para a prisão. Alguns morrem devido aos maus tratos. Outros passam por um suplício maior.

  

  



“Senhor Deus dos desgraçados
  Dizei-me vós, senhor Deus,
  Se é verdade ou se é loucura
  Tanto horror perante os céus”
 Castro Alves






   66 marinheiros e mais 293 homens e 44 mulheres, tidos como ‘simpatizantes’ dos revoltosos, mas que não passavam de contras partidários. Foram metidos nos porões do navio cargueiro ‘Satélite’ e deportados para o Acre, para trabalharem na missão Rondom. Durante a viagem alguns seriam fuzilados, no que seria uma ‘tentativa’ de revolta.  Triste fim ainda aguardou aqueles que sobreviveram à viagem.

   Mas João Cândido resistiu apesar de tudo;

“O herói não renuncia nunca. Quanto mais sofre os golpes da adversidade, mais se sente com forças para reagir contra o destino implacável que o persegue.”
Silvio Moreira Lima.
     

  CONCLUSÃO
     Por muitos anos a história oficial do que ocorreu neste 1910 foi sendo recheada de inverdades. Relatórios da marinha foram emitidos com o intuito de retirar de João Cândido a liderança da revolta. Durante o estado Novo este foi um assunto proibido.
  Nos anos seguinte ao de 1946 começou-se a investigar a história. A primeira edição saiu em 1959, mas logo o golpe de 1964 acabou por diminuir as chances de uma discussão mais profunda. Somente com a abertura política isso foi possível
  Um verdadeiro legado de nossa história. Nossa história também possui sangue nas mãos e precisamos conhecer.

  

domingo, 12 de fevereiro de 2017

A Maquina Diferencial




  





   TITULO:  A Maquina Diferencial

   AUTOR: Willian Gibson e Bruce Sterling

   EDITORA: Aleph

   PAG.: 450









   Sobre os autores:

      William Ford Gibson -  Escritor américo-canadense de ficção especulativa. Chamado de "profeta noir" do cyberpunk, um subgênero da ficção científica. Prevendo o ciberespaço, Gibson criou uma iconografia para a era da informação antes da onipresença da internet na década de 1990. Também é creditado a ele a previsão do surgimento da "televisão de realidade/reality show" e de estabelecer as bases conceituais para o rápido crescimento de ambientes virtuais como jogos e internet. Gibson é um dos mais conhecidos escritores de ficção científica norte-americana,  "provavelmente o mais importante romancista das duas décadas passadas".  . Seu pensamento tem sido citado como uma influência em autores de ficção científica, design, acadêmico, cibercultura e tecnologia.



Michael Bruce Sterling - Escritor estadunidense de ficção científica, mais conhecido por seus romances e sua obra seminal na antologia Mirrorshades, a qual definiu o gênero cyberpunk. Em 2003 ele foi designado professor da European Graduate School onde leciona cursos de verão intensivos sobre media e design. Em 2005, tornou-se o "visionário residente" do Art Center College of Design em Pasadena, Califórnia.
 Fonte: Wikipédia


  Sobre a obra:
      Antes de falar sobre a obra é preciso entender o que vem a ser seu Gênero:

Cyberpunk - Mescla ciência avançada, como as tecnologias de informação e a cibernética junto com algum grau de desintegração ou mudança radical na ordem social. De acordo com Lawrence Person: "Os personagens do cyberpunk clássico são seres marginalizados, distanciados, solitários, que vivem à margem da sociedade, geralmente em futuros distópicos onde a vida diária é impactada pela rápida mudança tecnológica, uma atmosfera de informação computadorizada ambígua e a modificação invasiva do corpo humano."

Steampunk - Trata-se de obras ambientadas no passado, no qual os paradigmas tecnológicos modernos ocorreram mais cedo do que na História real (ou em um universo com características similares), mas foram obtidos por meio da ciência já disponível naquela época - como, por exemplo, computadores de madeira e aviões movidos a vapor. É um estilo normalmente associado ao futurista cyberpunk e, assim como este, tem uma base de fãs semelhante, mas distinta.

  Explicado isto, então vamos a obra:

  Editado originalmente em 1991, esta obra foi reeditada pela Aleph em 2015. Mais um belíssimo trabalho editorial da Aleph, que por sinal gostaria de deixar um comentário sobre a editora. O livro que adquiri veio com uma falha de encadernação, uma das folhas foi encadernada de forma errada, sendo assim impossível ler as páginas 121 e 122. Eu mandei uma foto no face da editora. No dia seguinte eles enviaram um e-mail solicitando meu endereço, pois iriam enviar um outro livro em perfeito estado. Em três dias o livro chegou. Meus agradecimentos a Aleph. Quem dera todas as empresas tivessem este respeito com o consumidor igual teve a Aleph. Parabéns e Obrigado.  http://www.editoraaleph.com.br/

  A história se passa em uma universo Steampunk, onde a Londres do século XIX vive uma modernização cientifica avançada, computadores à vapor são capazes de fazer mudanças enormes na sociedade. O livro foi escrito pelos dois autores utilizando-se da ferramenta que representava o maior avanço da época, o Computador.


  E neste universo eles conseguem mesclar personagens reais, com ficcionais de forma tão fluídica que para quem não conhece a história poderiam passar todos por ficcionais. Interessante que até a ‘Maquina Diferencial’ existiu de fato:



Em meados do século XIX, em plena segunda fase da Revolução Industrial, estavam em progresso muitas tentativas de automação de processos, com destaque para aqueles envolvendo cálculos para a composição de tabelas trigonométricas e de logaritmos quer para o emprego na navegação, na pesquisa científica ou na engenharia.

  Algumas pessoas tentavam conceber máquinas que executassem este tipo de cálculo, tendo sido construídos vários modelos. A máquina mais avançada, entretanto, jamais entrou em produção: a chamada máquina diferencial de Babbage.

 Um modelo foi apresentado por Babbage, na Inglaterra, em 1822, capaz de resolver equações polinômicas através de diferenças entre números, e assim, de efetuar os cálculos necessários para construir tabelas de logaritmos.


 A máquina tinha a capacidade de receber dados, processá-los, armazená-los e exibi-los. Graças a ela Babbage ficou conhecido como o pai do computador e conseguiu apoio governamental para criar um modelo mais complexo, o "Engenho Analítico".

 Devido a problemas de engenharia e a conflitos pessoais e políticos de Babbage, o projeto do Engenho Analítico jamais foi concluído. ( Fonte: Wikipédia)

  O Livro é dividido em cinco capítulos, ou cinco interações, pois apesar da história não ser continuada ao longo dos capítulos, todas estão interagindo. Ainda depois da quinta interação tem um capítulo intitulado MODUS, que abre com uma coletânea de cartas, que são citadas durante o livro, algumas, e bem como o desfecho da obra.

 Além da alusão ao uso das maquinas a vapor, veículos a vapor, há também a correta ambientação histórica, como a poluição do Rio Tamisa, a questão das colônias Inglesas na África e na Ásia. A guerra da Criméia é citação constante na obra, apesar de não citar o famoso caso da carga de cavalaria. A questão da Guerra civil Norte Americana e o posicionamento Inglês a favor das colônias do Sul também são bem explorados no livro.


  Descrição da obra:

  “Em uma versão alternativa da Inglaterra vitoriana, a ascensão do Partido Radical trouxe mudanças impressionantes. Pelas ruas da capital, cartolas e crinolinas misturam-se a cinétropos, gurneys e cabriolés. O trem metropolitano e o sistema de esgotos revolucionam a rede urbana. Tudo graças às conquistas científicas alcançadas pela Máquina: no auge da Revolução Industrial, os avanços promovidos pela tecnologia a vapor anunciam a era da informática. Com um século de antecedência. 
  
   Mas Londres também é uma cidade em convulsão. O alvoroço causado pela turba desordeira assusta a população. Além disso, uma conspiração mais sofisticada – porém não menos perigosa – parece ameaçar a segurança e a estabilidade de todo o país. Enquanto isso, uma misteriosa caixa com cartões perfurados é objeto de cobiça e disputa, pois guarda um segredo estratégico, ligado a interesses nebulosos. 

  Acidentalmente ou não, ela cai nas mãos de diferentes personagens, mudando suas vidas: Sybil Gerard, ex-amante de um político influente e filha de um insurreto executado; Ada Byron, filha de Lorde Byron, então primeiro-ministro da Inglaterra; e Edward Mallory, um respeitado cientista, descobridor do famoso Leviatã Terrestre.”


  CONCLUSÃO



     Para os amantes do gênero Ficcional, seja Cyber ou Steampunk, não vão encontrar, nesta obra, narrativas de ações como  em “Wild Wild West”. Trata-se muito mais de uma trama política, recheada deste universo ‘cyberpunk’.



  Mas, para que se tire o melhor proveito desta leitura, eu recomendaria que antes de ler o livro, o leitor fizesse uma preparação. Conhecer um pouco mais da História da Inglaterra no século XIX, entre os idos de 1815 à 1880. Entender temas como a Situação do Tamisa, a Guerra da Criméia, a questão das gangues de Londres, o Neocolonialismo Britânico... . São todos pontos abordados neste livro e que, conhecendo-os vai tornar a leitura muito mais enriquecedora.
  
Boa leitura.

  
  

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Uma breve História do Mundo.








   TITULO:  Uma Breve História do Mundo

   AUTOR: Geoffrey Blainey
   EDITORA: Fundamento

   PAG.: 335









   Sobre o autor:
      Professor da Universidade de Havard e da Universidade de Melbourne, recebeu em Nova York o Internatinal Britannica Award pelo seu excelente trabalho na disseminação do conhecimento em favor da humanidade. Foi membro de diversas comissões de relações internacionais. É um brilhante historiador, reconhecido pela forma elegante e envolvente de expor temas complexos, e autor de mais de 35 livros.


  Sobre a obra:
      A presente obra, editada pelo Fundamento em papel pólen soft e capas em papel cartão fosco, com orelhas, é mais um daqueles livros que venho adiando a compra a algum tempo. E dai acabo recebendo de presente. O livro é uma verdadeira viagem na nossa história.

  O livro inicia-se na África, que é para onde apontam os primeiros achados arqueológicos dos nossos mais remotos antepassados. Partindo deste ponto o autor vai construindo uma história, quase que a ritmo contínuo, de nossa civilização.


   “ A arte da escrita e da leitura surgiram em uma das cidades da Mesopotâmia por volta de 3.400ac, embora o Egito também seja um candidato a essa honra. A escrita inicial tinha a forma pictocráfica; essas figuras de escrita eram desenhadas com um instrumento pontiagudo sobre o barro úmido, que era posto para secar e endurecer. Um pomar era retratado como duas arvores dentro de um barril, um recipiente de grãos era simbolizado com uma espiga de cevada, a cabeça de um boi acompanhada do numeral 3 significava 3 reses. Um dos propósitos da escrita era registrar gêneros alimentícios e os tecidos levados aos templos, que também serviam como armazém.”

  O livro é dividido em 3 partes. A primeira parte, e a mais extensa, cerca de 41% do livro, conta-nos a história que aprendemos, didaticamente falando,  chamar de história antiga.

  A segunda parte, cerca de 27%, discorre sobre nossa história Medieval, mas já adentrando na moderna.


  E na terceira e última parte, 32% do livro, nossa história moderna e Contemporânea. 
  Mas longe de buscar ser um livro didático, na verdade não há pretensão para tal. Apesar de apresentar todo este compêndio de informações o livro não se aprofunda. E não o faz justamente para que sua leitura se torne suave e contínua, como  disse o Prof°Geoffrei, - “ É como ver a paisagem pela janela de um trem em movimento”.


  “ A dois mil anos, as pernas humanas eram indispensáveis. Não havia substituto, exceto um cavalo ou um veleiro. Em todos os lugares, as pernas conduziam as pessoas quando trabalhavam e quando passeavam. As pessoas ficavam em pé durante a maior parte do tempo em que permaneciam acordadas, exceto uma pequena parcela daquelas que executavam serviços sentadas, como, por exemplo, os agiotas e os estudiosos, que talvez pudessem se sentar enquanto trabalhavam; o restante ficava em pé, fosse semeando ou trabalhando na colheita, para serem sacerdotes, soldados ou para cozinhar. Até o habito da escrita era geralmente executado em pé, diante de uma carteira mais alta. Hoje, porém, as aeronaves, os trens, os carros, as motocicletas e os ônibus tornaram-se os substitutos das pernas.”


 Um livro que indico à todos os estudantes, curiosos e leitores de um modo geral.


  CONCLUSÃO
   A grande pegada deste livro é conseguir reunir toda aquela informação que esta nos livros didáticos, de forma ‘encaixotada’, e dispô-las de forma contínua.
   Desta forma o leitor, seja estudante ou não, consegue montar um esboço temporal de nossa história.
  E passa a entender a nossa história, não como uma série de eventos desconexos, mas sim como uma sucessão de continuidades e rupturas, que é o que de fato caracteriza a nossa história, a história de todos nós.

Boa leitura.





sábado, 3 de dezembro de 2016

TENENTES - A guerra civil Brasileira




    “Em julho de 1922, quatro tenentes e alguns soldados deixaram o Forte de Copacabana, no Rio, para uma marcha suicida. Só dois sobreviveriam. Mas, naquele protesto contra eleições fraudadas e os homens poderosos que controlavam o país, eles transformariam o Brasil. Não veio sem um alto custo em sangue. O governo federal chegou a bombardear São Paulo, deixando centenas de mortos espalhados pela rua. Uma guerra civil esquecida. Dois presidentes foram quase assassinados. (...).
http://www.pedrodoria.com.br/tenentes/

  






   TITULO:  Tenentes

   AUTOR: Pedro Doria
   
   EDITORA: Record
   
    PAG.: 251










   Sobre o autor:
      Colunista dos jornais O Globo, O Estado de São Paulo e rádio CBN.

      Ganhador do prêmio Esso de melhor contribuição à imprensa, em 2012.

     É autor de outros seis livros, entre eles Manual para a Internet (Revan, 1995), o primeiro sobre a grande rede no Brasil, Eu gosto de uma coisa errada (Ediouro, 2006), coleção de reportagens sobre internet, sexo e nudez. Seus últimos livros tratam de história do Brasil. "1565", reconstrói a história do Rio de Janeiro e do sudeste em seus primeiros dois séculos. Já "1789" reconstrói a Inconfidência Mineira, além de fazer revelações a respeito de quem realmente foi Tiradentes.


  Sobre a obra:

      A presente obra, editada pelo Record em off-white, o que na minha opinião torna a leitura mais confortável. Capas em papel cartão fosco, orelhas médias. O meio do livro contém 8 páginas em papel que lembra um pouco o fotográfico, com fotos dos períodos relatados.

    O livro relata as revoltas militares ocorridas no Brasil, no inicio do século XX. O Brasil vivia seus primeiros anos de República. Tirando o fato de não haver mais Imperador, pouca coisa havia mudado no sistema republicano, quem ainda dava as cartas era a Oligarquias dos produtores de café de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

  Os militares, os primeiros detentores do poder no Brasil, após a proclamação da República, queriam o fim das Oligarquias, a centralização do poder, a implantação do voto secreto, uma política nacionalista e o fortalecimento da instituição.  Mas seriam estes os motivos das sublevações da década de 20?


  
























   Neste obra, Pedro Dória aponta um outro aspecto, aquartelados no Brasil, os  militares viram de longe os embates da Primeira Grande Guerra. Pedidos para que pudessem participar do conflito foram negados. A ‘guerra romântica’, onde soldados nas trincheiras escreviam a seus amores e pais poderiam ter alimentado toda aquela geração?

  “ Dois soldados desceram a bandeira nacional, quase dois metros de comprimento. Com uma navalha, Siqueira a rasgou em 29 pedaços irregulares. Um para cada um e o ultimo para entregar ao Capitão Euclides no Palácio do Catete. Carpenter escreveu em seu pedaço de bandeira: ‘Forte de Copacabana, 6 de Julho de 1922. Aos queridos pais, ofereço um pedaço da bandeira em defesa da qual resolvi dar o que podia...minha vida. Mario Carpenter.’ Siqueira fez o mesmo. ‘Ao meu pai e meu irmão e à memória dos 28 companheiros e daquela que não posso dizer’. Pensava em Rosalina Coelho Lisboa, uma moça morena e bonita de 22 anos com quem mantinha uma relação secreta. “
  
   A revolta do Forte de Copacabana não foi tão simples como se vê nos livros escolares. Foi uma complexa rede, planejada e detalhada, porém que não deu certo em virtude da Vila Militar não ter conseguido aderir ao movimento. E os canhões do forte dispararam tiros contra a então capital, Rio de Janeiro.

   Apesar de derrotada, a ideia não havia morrido e acabou por ressurgir em São Paulo, por quase um mês a capital Paulista virou uma verdadeira praça de guerra.















  “ São Paulo amanheceu em meio ao silêncio da bruma naquele 6 de Julho. As trincheiras em campos Elíseos foram reforçadas com sacos de areia e pranchas de madeira, que protegiam as metralhadoras. Mas naquela manhã, os rebeldes abriram pouco fogo contra o palácio e se concentraram no 4° Batalhão de Polícia. Eduardo Gomes assumiu um posto de artilharia. Com Gomes, boa mira. A caixa d’água do quartel foi ao chão. Não teriam água. Então, o prédio de comando se incendiou. Um terceiro obus pegou o telhado do edifício principal. No bombardeio, os rebeldes presos desceram a escadaria em busca de segurança quando foram interceptados pelo tenente Pietscher, pistola em punho. (...)”

  
   Com Getúlio Vargas subindo ao poder e com a morte da maioria daqueles jovens alimentados pelo romantismo da ‘guerra de tricheiras’, os militares voltaram a seus quartéis. Mas ainda resta uma pergunta: Até onde, de fato, a revolução de 1964 teve sua mais remota influência, dentro do movimento Tenentista?


  CONCLUSÃO

     Nas palavras de Pedro Doria:

 “ Não é possível entender o Brasil republicano sem entender o tenentismo. Não haveria 1930 sem o tenentismo. Não haveria 1964 sem o tenentismo. Duas ditaduras. Uma com tons de esquerda por conta de seu histórico de direitos trabalhistas, a outra marcada pela direita em sua posição irracional ao comunismo.”

  Precisamos nos perguntar até quanto não estariam misturados os interesses das forças armadas com o da nação? A república Oligárquica, sustentada pela fraude precisava sofrer um colapso para que a democracia de fato ocorresse.

   O movimento tenentista, formado na intelectualidade militar surgida justamente naquele período, inundada pelo romantismo de uma morte pela defesa da causa pátria, assumi as dores do povo e resolve agir da forma como eles entendem que deveriam agir.


  Um livro que nos leva a mais questionamentos, o que é muito bom, sobre um período pouco divulgado da nossa história. Seria interessante se este livro virasse um filme, ou um seriado.


 Boa leitura.


Pesquisar este blog